O desafio: impedir que o vencedor do "X-Factor", programa da TV britânica para talentos da canção, fosse, pelo quinto ano consecutivo, o vencedor do habitual duelo do single de Natal - a canção mais vendida na semana que antecede as festividades. A campanha começou no Facebook, lançada por um fã de Rage Against The Machine (RATM) em luta contra "a pop corporativa". A proposta: comprar a canção "Killing in the Name" (1992) e impedir a vitória esperada do ídolo adolescente Joe McElderry. A banda apadrinhou a iniciativa e a internet tratou do resto. Ontem os americanos foram confirmados como vencedores, com 500 mil downloads do tema (mais 50 mil que o rival). Afinal, o rap-metal pode ser natalício. Talvez não tanto como Bing Crosby mas, ainda assim, procurámos as semelhanças entre os RATM e o intérprete da canção mais vendida de sempre, "White Christmas".
Rockers Os Rage Against The Machine (que no mundo pop de revistas e afins são conhecidos pela sigla RATM) surgiram no início dos anos 90 para como nome maior de uma estética que ganhou nomes tão complexos como rap-metal ou punk hip-hop. Tudo temperado com contestação política, pró-comunista, anti-americana e pela revolução da América Latina.
“Killing in the Name” A canção tem servido tanto de hino para lutas anti-opressão como para adolescentes com dores de crescimento. Foi editada em 1992, no álbum de estreia do grupo, e atira-se aos males da sociedade americana, com óbvias referências ao Ku Klux Klan. Neste single natalício do ano no Reino Unido ouve-se a palavra “fuck” 17 vezes.
Guerrilha A palavra foi uma e outra vez utilizada para caracterizar a arte – leia-se rock – de quem assinou canções com nomes como “Freedom”, “Take The Power Back”, “Bullet in the Head” ou “Sleep Now in the Fire”. Apesar do culto que lhes é dedicado desde 1992 – mesmo com a pausa nas actividades entre 2000 e 2007 – nunca o sucesso do primeiro álbum se repetiu.
Revolução Zack de la Rocha (vocalista), filho de um mexicano herdeiro e seguidor de lutas zapatistas e de uma antropóloga com preocupações sociais agudas. Tom Morello (guitarrista), auto-proclamado anarquista de nascença. Os dois líderes da banda ditaram desde logo a verdadeira preocupação do colectivo: o activismo político explícito.
Protestos Os momentos mais marcantes dos RATM além-música estão nos sucessivos convites à revolta. Em 1996, no programa “Saturday Night Live”, actuaram com duas bandeiras americanas invertidas em palco; no Woodstock de 1999 queimaram outra; e em 2000, um concerto durante a convenção democrata terminou em protesto nas ruas.
Crooner Chamam-lhe a maior e mais influente estrela da primeira metade do século XX. Foi, pelo menos, uma das primeiras vedetas multimédia, venerado na rádio, best-seller nos discos e trunfo de qualquer bilheteira. O quarto de sete irmãos, nasceu em 1903, no noroeste dos EUA. Deu-lhe fama a voz grave, mas sobretudo a forma suave e quente de a usar.
“White Christmas” Com 50 milhões de cópias, é o single mais vendido da história. Irving Berlin escreveu-o em 1940, Bing Crosby apresentou-o no seu programa de rádio no Natal do ano seguinte. Gravá-lo-ia (em 18 minutos) em 1942. O tom nostálgico – “sonho com um Natal branco, como aqueles que conheci” – conquistou os soldados na Segunda Guerra Mundial.
Cinema O tema “White Christmas” fez tanto sucesso que em 1954 originou um filme com o mesmo nome. Tornou-se o mais popular da carreira de Crosby, que antes disso ganhara um Óscar para melhor actor em “Going My Way” e fora outras duas vezes nomeado. De acordo com o “International Motion Picture Almanac”, ele é a sexta estrela mais rentável de sempre.
Handicap 2 “Este foi um grande jogo de golfe, amigos” terão sido as últimas palavras de Crosby. Talvez seja daqueles mitos alimentados pelos adeptos, mas a verdade é que ele era louco pelo desporto. Chegava a mudar gravações para poder competir, jogava nos campeonatos amadores britânico e norte-americano e está no World Golf Hall of Fame
Erva O cachimbo era uma imagem de marca, mas poucos saberão que o cantor católico e republicano apreciava marijuana. Terá sido o músico e amigo Louis Armstrong a influenciá-lo. O senhor “White Christmas” defendia a descriminalização e chegou a aconselhar o filho mais velho a fumar em vez de beber. Deixou o vício em 74 depois de uma operação aos pulmões.




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