Jesualdo Ferreira e Helton nunca tinham perdido na Luz? Pois é, a história vale de pouco. O Benfica investiu forte na presente época mas, para já, ganhou 1,7 milhões de euros de receita ao irreconhecível FC Porto. E promete mais, para orgulho de Romanella Amato, a jovem argentina que foi capa da FHM em Outubro. Quem é? A namorada de Saviola, o mágico que decidiu o clássico na semana em que o lesionado Aimar foi considerado pelo Amazon.com o melhor argentino da década. Saviola, o único argentino que participou na cimeira sul-americana da Luz sobre a questão do título (havia brasileiros, paraguaios, uruguaios, colombianos, alguns portugueses e espanhóis) assinou o tratado: o Benfica é mesmo candidato.
ESTRATÉGIAS Jesualdo Ferreira, que no último ano tinha surpreendido com as chamadas ao onze de Rolando e Fernando, foi mais comedido e lançou a surpresa Guarín. E que má ideia! Jorge Jesus, no jogo dos bluffs, acabou por recuperar Ramires (que fez o último treino conjunto, sempre em segredo) e surpreendeu com Urreta. E que boa ideia! Logo antes do apito inicial, a águia Vitória ganhou aos Super Dragões (que assobiavam para tentar distrair o rumo habitual até ao palanque no centro do relvado) e Jesus começou a escrever os mandamentos para o triunfo final. Com muita fé.
O Benfica mostrou respeito e agigantou-se; o FC Porto entrou arrogante e encolheu-se. Mesmo sem Aimar, Carlos Martins trouxe cérebro ao meio-campo, ao som do tango de Saviola e, de forma inevitável, do apito de Lucílio Baptista, o chefe da banda. E enquanto os dragões sem chama saíam chamuscados com iniciativas infantis de Hulk, as águias bicavam a sorte com remates em série de fora da área. Até que, aos 22 minutos, o argentino tomou a palavra: Álvaro Pereira, o Palito, tinha parado um tiro de Cardozo mas Fernando, o Polvo, escorregou num tentáculo e permitiu aos visitados tirarem o verdadeiro Coelho da cartola.
Finalmente, o campeão sentiu-se picado no orgulho e tentou inverter a tendência dominante mas Hulk, que de super-herói teve apenas as gargalhadas e insultos que vinham da bancada, rematou aos 41 minutos para... a linha lateral contrária.
Após o intervalo, Jesualdo desfez o erro inicial, deixou Guarín nos balneários e abriu a direita do ataque com Silvestre Varela. Havia indicações para pressionar ao máximo o Benfica logo no sector defensivo, não só para recuperar o respeito há muito perdido mas também para explorar o normal desgate físico que seria inevitável entre os encarnados – na teoria, a estratégia seria correcta; na prática, não passou de uma pequena ameaça. Álvaro Pereira obrigou Quim à única defesa apertada da noite, Raul Meireles viu um remate ser desviado pelo corpo e passar perto do poste, três cantos e... finito. Acabouo balão azul e branco que chegou sem gás a Lisboa. E voltou a onda da casa.
Se Jesus entrou bem em campo, mexeu ainda melhor na equipa. Sem receios, colocou Weldon na esquerda, reforçou a direita com Luís Filipe e estancou de imediato as alterações portistas. Mais: de bola parada, o Benfica podia mesmo ter ampliado em vantagem em dois cantos.
O resto foram os traços gerais de um clássico: picardias entre jogadores e entradas duríssimas que um Lucílio Baptista com um tique menos acelerado de mostrar cartões foi deixando passar. Mas há uma grande diferença – este Benfica é um verdadeiro candidato ao título e nunca deve ser menosprezado (como os campeões fizeram). Até porque, mesmo em clara queda física, Jesus fez de um lote de grande jogadores uma grande equipa.




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