Ambiente
Copenhaga. Obama impõe um acordo mínimo e frágil
Publicado em 19 de Dezembro de 2009
Houve acordo, embora a maioria dos países o tenha considerado insuficiente para travar as alterações climáticas. As negociações seguem em 2010
Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, forçou ontem um acordo na recta final da cimeira de Copenhaga sobre alterações climáticas. O próprio Obama rebentou com uma reunião que decorria entre os líderes do Brasil, da Índia, da China e da África do Sul, e disse-lhes que não admitia "negociações secretas", revelou o diário "The New York Times".
Sob os protestos sonoros dos responsáveis chineses pelo protocolo, a intrusão de Obama permitiu, porém, estabelecer os termos do acordo que frustrou a maioria das expectativas: nenhum país ficou inteiramente satisfeito com os termos negociados em Copenhaga, apesar de Barack Obama ter considerado que este passo foi significativo.
"Pela primeira vez na história, todas as grandes economias se juntaram para actuar contra as alterações climáticas. Este acordo é uma fundação para a mudança, mas é preciso mais progresso. O acordo não é legalmente vinculativo, mas fará com que os países estabeleçam os seus tectos de emissões", declarou Obama no fim das negociações.
Ou seja, houve acordo, mas o consenso foi insuficiente. Ao contrário do que aconteceu em Quioto, onde os países assinaram um acordo formal e vinculativo, o acordo de Copenhaga estabeleceu-se no domínio dos princípios.
Nicolas Sarkozy afirmou ontem que com este acordo todos os países, incluindo a China, terão de concluir e entregar por escrito, em Janeiro de 2010, os seus planos para redução de emissões de CO2".
O acordo resultou da convergência das posições da China, Índia, Estados Unidos, Brasil e África do Sul em torno de princípios mínimos mas, segundo Nicolas Sarkozy, "toda a comunidade internacional decidiu subscrever os seus termos".
O acordo fixa como objectivo a contenção, em dois graus, do aumento das temperaturas médias até 2050. Mas não foi estabelecido nenhum alvo para redução das emissões de CO2, cuja negociação irá prosseguir durante o próximo ano.
As acções levadas a cabo por cada país serão objecto de monitorização internacional. Segundo Sarkozy, todos os países se comprometeram a financiar o fundo para assistência aos países pobres (até 2020).
A meta de 2 graus para o aquecimento até 2050 global é uma desilusão para os países em desenvolvimento e a principal vitória para o G8. O acordo impõe um tecto elevado e alivia a pressão sobre os países mais poluentes a médio prazo. Ao mesmo tempo, a ideia de um compromisso comum para reduzir emissões até 2020 ficou por terra. De Copenhaga não saem metas individuais e caberá aos Estados imporem os seus próprios objectivos para a próxima década. Até 2050 há, contudo, um objectivo global de reduzir em 50% as emissões globais e o compromisso dos países desenvolvidos investirem sete mil milhões de euros por ano até 2020 em ajudas aos países em vias de desenvolvimento. Depois de 2020, esta ajuda (Fundo de Ajuda Climática aos Países Pobres) chegará aos 70 mil milhões/ano, um número que fica aquém dos objectivos propostos e que ainda não tem, oficialmente, nem uma lista nem uma distribuição de verbas pelos vários países industrializados.
Ontem, Barack Obama mostrou-se insatisfeito com um acordo que ainda não é jurídico, mas apenas político. a obrigação política, para já, é que o documento de Copenhaga tome forma legal até 2016.
Está ainda prevista uma revisão do acordo em 2016 para limitar mais severamente o aumento das temperaturas médias de 2 para 1,5 graus. Com M.P., G. V., P.S.A e M. F. R. e E.P.C
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