Portugueses são terceiro povo mais religioso da Europa

Publicado em 17 de Dezembro de 2009   
Estudo do Legatum Institute sobre a prosperidade mostra que os países mais pobres tendem a ser os mais devotos
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Portugal é o terceiro país mais religioso da Europa Ocidental. No campeonato da fé, os portugueses só são mesmo ultrapassados pela Irlanda e pela Itália, todos católicos. As conclusões foram apresentadas recentemente pelo Legatum Institute, uma organização independente sediada em Londres, dedicada à promoção da liberdade individual e da prosperidade económica e social. Numa das correlações mais surpreendentes, entre religião e prosperidade, o Legatum apresenta a Europa Ocidental da seguinte forma: "A região mais próspera do mundo acaba por ser a menos religiosa." A Suécia, luterana, apresenta o maior grau de secularismo, logo seguida dos vizinhos nórdicos (exceptuando a Finlândia), da França e do Reino Unido. Curiosamente, os mais ricos. Do lado oposto, estão a Irlanda, a Itália, Portugal e Grécia (ver gráfico à esquerda). Curiosamente, muitos dos mais pobres do bloco ocidental e os actuais "homens doentes" da União Europeia.

Noutras áreas geográficas, a correlação mantêm-se independentemente da religião professada: a região menos próspera do mundo, a África subsaariana, é a mais crente. No Médio Oriente, a nação mais desenvolvida é também a menos devota. Qual? Prepare a cadeira: Israel. "Nesta região, com a excepção de um país, todos os Estados são dominados pelo Islão e apresentam graus de religiosidade acima da média mundial. Ironicamente, o Estado Judaico é o menos religioso na região", lê-se no trabalho do Legatum.

Mas, como vários investigadores alertam, ninguém deve simplesmente admitir que o secularismo é sinónimo de bem estar, e a religião do seu contrário. Porque há uma teia de variáveis complexas que entram na equação da prosperidade. A força das instituições seculares e a vitalidade da sociedade civil são apenas duas delas. Para Paul Bloom, doutorado em Psicologia pelo MIT e académico da Universidade de Yale, as relações sociais dentro da estrutura da igreja são muito mais benéficas do que "a crença constante na vigilância de um poder superior."



Portugal: bom ou mau? No "Legatum Prosperity Index", Portugal aparece a fechar o primeiro quarto da tabela global da prosperidade: 22.o lugar entre 104 países estudados. Para o Legatum, a análise aos países mais prósperos do mundo não se esgota no cálculo do Produto Interno Bruto. Por isso, o instituto londrino elaborou nove sub-index que definem a posição no ranking global. É no capítulo da "Segurança" que o país alcança a sua melhor avaliação (17.o lugar): "O país tem poucos ou nenhuns problemas de segurança", lê-se no relatório de 298 páginas. Em sentido contrário, é na medida do "Capital Social" - a capacidade das pessoas desenvolverem relações de confiança mútua - que o país se sai pior, estando mesmo atrás de países como o Vietname, a Guatemala e a Jamaica. Mesmo assim, à frente da Espanha. "Os portugueses têm um registo muito pobre de voluntariado" e "apenas 17% das pessoas acreditam que os outros são de confiança".

Noutros factores determinantes para a promoção da riqueza no longo prazo, as avaliações dadas a Portugal ficam sempre abaixo das obtidas pelos pares europeus. Nos "Pilares Económicos", 28º posição, o Legatum assegura que o pais deve "melhorar a capacidade para atrair investimento estrangeiro e elogia a performance do sector bancário; na rubrica "Empreendedorismo e Inovação", Portugal volta a estar na cauda da Europa desenvolvida (31.o lugar) e o retrato do sub-index "Educação" também não é famoso (29.o posição). Pior, só mesmo quando se pede aos portugueses para medir o seu grau de "Felicidade": 44.o lugar.


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