Benfica-FC Porto

Clássico. A esquerda unida às vezes é vencida

por Pedro Candeias, Publicado em 17 de Dezembro de 2009   
Benfica e FC Porto sofrem mais desse lado. É o elo mais fraco da defesa
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As defesas de Benfica e FC Porto são clássicas na forma, porque são compostas por quatro homens, e semelhantes no conteúdo, porque o lado mais fraco de ambas é o esquerdo. E no jogo grande de domingo, será por aí que deverão surgir os lances de perigo de cada uma das equipas. É uma questão de estatística.

Desde Léo que não há na Luz um jogador fixo nessa posição - já por lá passaram David Luiz, Jorge Ribeiro, Schaffer, César Peixoto, Fábio Coentrão. E David Luiz, outra vez. E nenhum deles oferece a consistência do brasileiro vetado por Quique Flores na época passada - e é por aí que tem surgido a maior fatia dos golos dos adversários durante esta época. "Basta ver e contar os nomes dos jogadores que jogaram à esquerda. É uma das zonas frágeis do Benfica", diz Augusto Inácio, treinador da Naval, ao i. Daúto Faquirá, antigo técnico do Estrela da Amadora e Vitória de Setúbal, confirma: "O Benfica tem debilidades nessa área e os rivais têm tentado aproveitar."

Através de livres laterais ou cruzamentos dessa zona, o Benfica sofreu contra o Paços de Ferreira quando Maikon que aproveitou o centro-esquerda na Mata Real (3-1); o Braga consumou a vitória (2-0, por Hugo Viana e Paulo César) na pedreira; e o Olhanense marcou um dos dois (2-2) no empate no Algarve, por Toy. Num total de nove golos sofridos na Liga, quatro nasceram do lado esquerdo.

Dos outros golos, dois brotaram de livres à direita - Olhanense, por Carlos Fernandes, e União de Leiria (3-1), auto-golo de David Luiz -, um de penálti - Marítimo (1-1), por Alonso - e dois pelo meio - Nacional (6-1) e Vitória de Setúbal (8-1). Há outras questões pendentes no Benfica: assegurar o equilíbrio num onze que apresenta quatro avançados (Aimar, Cardozo, Saviola e Di María) e um defesa que é extremo (Coentrão); e o amadurecimento de David Luiz. E da equipa. "Há ali um desequilíbrio emocional. O que se viu em Olhão não é normal. Talvez fosse a proximidade do clássico", afirma Inácio. "O David é óptimo e com um grande potencial mas, sob pressão, às vezes cede", diz Daúto. O moçambicano deixa uma dica para quem defronta o Benfica: "Quando se ultrapassa a segunda linha [Aimar, Di María, Ramires] a defesa fica vulnerável porque só tem o Javí disponível para varrer."

ESQUERDA VOLVER O FC Porto leva 10 golos sofridos e três surgiram do lado esquerdo, o de Álvaro Pereira: o auto-golo de Rolando contra a Naval (3-1); o remate de Alan com o Braga (1-0) e o de João Tomás (2-1) com ao Rio Ave. E se contabilizarmos os cantos, são cinco os que já sofreu nessa faixa: Ricardo, do Paços de Ferreira (1-1), e Pouga (4-1). com o Leixões. Tal como na Luz, o elo mais fraco no Dragão é o defesa-esquerdo. "O Álvaro tem debilidades defensivas", diz Daúto. Inácio também reconhece a menor capacidade do uruguaio e lança outra carta: "É a cobertura do meio-campo. Eles perdiam algumas bolas fáceis e isso originava contra-ataques." Alguns deles letais. Como os três golos que surgiram após cruzamentos do lado direito portista (Sougou, no 3-2 com a Académica; Lima, no 1-1 com o Belenenses e o auto-golo de Rolando no 1-0 com o Marítimo), e o remate de Miguel Pedro (Académica). Nesses lances, os centrais (Bruno Alves e Rolando) e o trinco (Fernando) foram batidos. "Coisa que não acontecia antes mas o problema parece solucionado." Nos últimos dois jogos da Liga, o FC Porto sofreu um. De livre directo (Andrezinho, no 4-1 com o Vitória de Guimarães). Aí, a culpa morreu solteira.


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