Greve no Natal: distribuição acusa sindicatos de irresponsabilidade

Publicado em 16 de Dezembro de 2009   
Belmiro de Azevedo "não acredita" em greve dia 24. Empresas propõem aumentos de 1%
Opções
a- / a+
O desejo das empresas de distribuição de aumentar o período de trabalho dos seus colaboradores despertou uma forte contestação dos sindicatos. As empresas de distribuição querem aumentar o número de horas de trabalho dos colaboradores, de 40 para até 60 horas por semana - 12 horas por dia em cinco dias de trabalho -, o que já levou os sindicatos a entregaram um pré-aviso de greve para o dia 24 de Dezembro.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) reagiu ontem à tarde: "Não aceitamos pressão desta natureza." Em comunicado, esta associação lembra as actuais "dificuldades económicas e financeiras", ameaçando que "esta posição sindical extremista [...] esquece o fundamental que é assegurar a perenidade das empresas e dos respectivos postos de trabalho". Contudo, convém recordar que o volume de negócios da distribuição tem vindo a crescer desde o início da crise. Só em 2008, os associados da APED viram as vendas subirem 12%, já que em tempos de apertar o cinto, privilegia-se mais o consumo em casa. No comunicado, a APED também salienta que a ameaça de greve põe "em causa o direito ao abastecimento dos consumidores e das famílias portuguesas".

Regresso da escravatura Para os sindicatos, a revisão do contrato colectivo proposta pelas empresas mostra que "as empresas da distribuição querem o regresso à escravatura", segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, isto apesar de o código do trabalho permitir a flexibilização dos horários até 60 horas semanais.

Na proposta apresentada pelas empresas, está também previsto o aumento do total de contratos a termo. Em contrapartida é proposto uma subida salarial de 1%. As empresas querem ainda só ter de avisar na véspera os seus empregados que vão ter que trabalhar mais horas no dia seguinte, pedindo um prazo de "até seis meses" para pagarem as horas extras.

Belmiro revolta-se O patrão da Sonae, dona do Continente, também está contra a greve. "Não acredito nesse anúncio de greve para a véspera de Natal e que os sindicatos sejam duplamente irresponsáveis: criar desconforto a milhões de portugueses por um pequeno ataque de baixa qualidade. Segundo - e seria muito mais grave - ousem formar algum movimento e não deixar trabalhar quem quer", referiu à Renascença.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close