Crime
Catch me if you can. O teenager mais procurado da América
Publicado em 16 de Dezembro de 2009
Colton Harris-Moore anda a fugir à polícia desde os oito anos. Aos 18 já fez mais de 100 assaltos
Começou por roubar bicicletas. Depois carros. A seguir barcos. Nos últimos tempos tem-se dedicado ao furto de aviões, apesar de nunca ter tido aulas de aviação. O currículo no crime é longo, mas Colton Harris-Moore só tem 18 anos e já acumula uma legião de fãs na internet.
É procurado pela polícia norte-americana desde os oito anos, quando roubou a primeira bicicleta. Numa década, tornou-se uma lenda do mundo do crime. Tem uma legião de fãs na internet e uma longa lista de histórias e mitos, em que é sempre o herói. Conta-se que assaltou um carro da polícia e roubou as armas aos agentes. O feito foi considerado heróico pelos seus seguidores, mas irritou a polícia e Colton passou a ser considerado armado e perigoso. Pouco tempo depois descalçou-se durante uma perseguição policial e desapareceu no meio de uma floresta. A polícia ficou a ver navios e Colton é chamado, desde então, de "ladrão de pé descalço".
A polícia acredita que o adolescente é responsável por mais de 100 assaltos nos EUA e no Canadá, e suspeita-se que tenha roubado, recentemente, três avionetas. Colton Harris-Moore, que tem uma cara de anjo, olhos azuis, queixo sardento e 1,96 m de altura, nunca foi apanhado pelas autoridades. E, se no início só era conhecido na zona norte da Costa Oeste dos Estados Unidos, agora tem vários clubes de fãs na internet. Só no Facebook é seguido por mais de 11 mil pessoas de todo o mundo e há dezenas de sites dedicados à venda de T-shirts com o rosto do adolescente estampado ou frases de apoio como "Voa, Colton, voa".
No Youtube criaram-lhe hinos de apoio porque, para os fãs, Colton é uma espécie de Robin dos Bosques dos tempos modernos. É visto como o rapaz pobre que cresceu no meio da floresta de uma pequena ilha do arquipélago Camano, em Puget Sound, no estado de Washington, e que, numa altura de crise económica, decidiu roubar os multimilionários que ali passavam férias. Foi assim nos primeiros anos, mas actualmente Colton, garante a polícia, tanto rouba aos ricos como aos pobres.
Infância infeliz Um dia o pai de Colton Harris-Moore tentou estrangulá-lo a meio de uma discussão num churrasco que reunia a família inteira. Por causa da violência, a mãe fugiu com o filho nos braços e Colton foi educado numa autocaravana escondida nas florestas do Sul da ilha. Embora escondido, Colton começou cedo a dar nas vistas e tornou-se uma figura mítica para os vizinhos. Muitos acreditam que a infância infeliz contribuiu para que tenha começado a carreira no crime.
A polícia local perdeu a conta às vezes que invadiu casas só para tomar um banho quente ou para roubar gelado de menta dos frigoríficos. No início só roubava objectos de que precisava para conseguir viver na floresta. "Porque ele é um sobrevivente", garante Jack Archibald, um artista local, à revista "Time". No entanto, esses pequenos furtos passaram à história e os últimos assaltos são bem mais audazes. E a polícia sabe. No último ano, Colton foi acusado de roubar barcos a motor para poder viajar, sem constrangimentos, de umas ilhas para as outras e assaltar um maior número de casas.
Já este ano, só precisou de um computador e dos dados de um cartão de crédito que trouxe de uma das casas que invadiu para encomendar uns óculos de visão nocturna no valor de 6500 dólares (4480 euros). Entre outros crimes, a polícia suspeita que Colton tenha feita uma ligação directa num Cessna de um locutor de uma rádio local. Roubou-lhe o avião e despenhou-se numa reserva índia. O mesmo modus operandi foi entretanto utilizado no roubo de outros dois aviões. Colton, acredita a polícia, terá saído dos destroços pelo seu próprio pé. E inteiro.
Há meses, a mãe, Pam Kohler, irritou--se com um jornalista da Fox News e chegou a dizer, num directo: "Deus queira que tenha sido ele a roubar aqueles aviões. Fico mesmo orgulhosa. Mas para a próxima quero que ele use pára-quedas para não se magoar." A verdade é que a polícia desconhece o paradeiro do adolescente e a caça ao homem está mais intensa que nunca. Colton enviou, há semanas, um recado às autoridades. Antes de fugir a uma rusga policial à autocaravana da mãe, deixou uma nota: "Os bófias querem brincadeira, hum? Isto não é um joguinho. É guerra."
Na pequena ilha, as opiniões dividem-se. Há quem o adore, há quem o odeie. Jack Gunter, um dos residentes, garantiu à "Time": "Ele não é mau, mas também não é o Robin dos Bosques. Se não for travado, vai acabar por se tornar um criminoso ou morrer." Nas redes sociais, dezenas de adolescentes fazem-lhe juras de amor.
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