Visto de fora

Temos de salvar os inovadores das armadilhas dos burocratas

por Francesco Alberoni, Publicado em 15 de Dezembro de 2009   
Quem deseja realizar alguma coisa depara-se com um mar de autorizações, licenças de ministérios, entidades locais, obstáculos de burocratas e políticos litigiosos ou distraídos
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Quando vamos à China ou à Coreia parece-nos que tudo é feito fácil e rapidamente: portos, aeroportos, auto-estradas, universidades, cidades inteiras, tudo moderníssimo. Na Europa, sobretudo em Itália, tudo parece lento e difícil, e até as instituições parecem poeirentas, em luta pela simples sobrevivência.

Há quem diga que é assim porque um território vazio, onde tudo é necessário, permite construir o que se quiser e onde se quiser, sem vínculos históricos, sociais ou paisagísticos. Não é verdade; no nosso caso, mesmo quando aparentemente não há vínculos nem impedimentos, surgem sempre dificuldades incríveis.

A razão do atraso é outra. Nos países asiáticos, o desenvolvimento apenas surgiu após a eliminação da antiga estrutura política, administrativa e feudal, que mantivera o sistema imutável durante séculos. No Japão, a modernização verificou-se após a revolução Meiji; na China após a Revolução Cultural, quando Deng Xiao Ping fez nascer o mercado. Em Itália foi depois da guerra, com o "milagre económico". Mas depois formaram-se potentíssimas estruturas políticas, financeiras, industriais, sindicais, culturais e judiciais cujo principal objectivo era conservar e aumentar o respectivo poder. Quem deseja realizar alguma coisa, quer se trate de uma universidade, quer de uma empresa ou de um simples negócio, depara-se com um mar de autorizações, licenças de ministérios, entidades locais, obstáculos de burocratas e políticos litigiosos ou distraídos.

No nosso país, o "novo" apenas nasce se alguém se empenhar de alma e coração. É preciso trabalhar sem parar e nunca desistir, sem distracções. Quem procura financiamento consegue-o e obtém as autorizações necessárias, mas acaba sempre por descobrir que falta mais qualquer coisa, que é preciso mais um extracto. Nessa altura encontra novos caminhos, inventa, cria... mas depois chega um novo político que inviabiliza o que tinha sido decidido pelo antecessor. Apenas temos êxito se não perdermos de vista o objectivo, se arrastarmos connosco, por vezes à força, os nossos colaboradores, se estivermos dispostos a recomeçar do zero e se soubermos que, depois de tudo acabado, vão aparecer ladrões para nos roubar.

É por tudo isto que não assistimos a um grande desenvolvimento económico e cultural; os verdadeiros inovadores, os verdadeiros empreendedores, os verdadeiros construtores têm de travar uma luta desgastante. Se conhecer alguns, tente compreendê-los, ajudá-los e defendê-los.

Sociólogo, escritor e jornalista

Escreve à terça-feira


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