Cavaco Silva: " Não entro em retóricas de dramatização"

Publicado em 11 de Dezembro de 2009   
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O Presidente da República (PR), Aníbal Cavaco Silva, recusou hoje, no Porto, entrar em “retóricas de dramatização” sobre a governabilidade do país, mas apelou a uma cultura de responsabilidade entre as diferentes forças políticas.

Não entro em jogos que possam aumentar a tensão no nosso país. Não entro em retóricas de dramatização”, começou por dizer Cavaco Silva, quando confrontado pelos jornalistas com os apelos de algumas vozes socialistas, que esta semana defenderam a intervenção do PR sobre a estabilidade governativa do país, alegando estar em causa o normal funcionamento das instituições.

Cavaco Silva recusa dramatismos, e diz confiar no bom senso e no diálogo entre os partidos, mas sempre foi apelando à responsabilidade das diferentes forças políticas.

“Neste tempo de exigência na negociação, no diálogo e no entendimento, é bom que, ao lado, esteja também o tempo da responsabilidade. Devemos esperar que, ao lado da cultura de negociação, exista a cultura de responsabilidade”, insistiu o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas à margem da inauguração do Palácio das Artes - Fábrica de Talentos, no Porto.

Lembrando que a situação política nacional “não é inédita” e que o país já viveu outras fases de governos minoritários, Cavaco Silva alertou para a importância de negociar.

“Existiu um Governo sem apoio maioritário no tempo em que António Guterres foi primeiro-ministro, entre 1995 e 2002, tal como eu também presidi a um governo minoritário. Sei bem o diálogo que tive de desenvolver. Algumas leis foram reprovadas e se calhar fiquei incomodado, mas, mesmo um governo minoritário aprovou leis muito importantes”, recordou.

É devido a este passado que Cavaco Silva recusa entrar “em jogos que possam aumentar a tensão no país”.

“Não entro em retóricas de dramatização. As forças políticas acabarão por revelar bom senso”, frisou.

Falar em perigos para o normal funcionamento das instituições, como fizeram algumas figuras do PS, é, para o PR, um “exagero total”.

Questionado sobre se o funcionamento das instituições estaria em causa devido à situação política do país, Cavaco Silva foi peremptório: “Penso que é um exagero total entrar num domínio de dramatização no qual não entrarei porque confio no bom senso das forças políticas”, respondeu.

Relativamente à troca de insultos de quinta-feira, na primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde, Cavaco Silva considera que é a Assembleia da República que tem de tomar medidas.

“Alguns podem não gostar de tudo o que acontece num Parlamento, mas a quem compete organizar o funcionamento dos trabalhos é à AR. Eu serei sempre o último a interferir nos debates parlamentares. Sigo uma rigorosa posição de independência e imparcialidade e daí não me afastarei. Serei sempre um referencial de estabilidade e espero que os outros órgãos de soberania dêem o seu contributo para a estabilidade. Estou certo que vão dar”, sublinhou.

Intervir no actual panorama político é algo que o chefe de Estado nem sequer pondera, neste momento.

“O Presidente da República é a válvula de segurança do funcionamento das instituições democráticas, é a reserva de último recurso e deve preservar sempre essa sua posição de independência e imparcialidade. Confio no funcionamento das instituições democráticas e no bom senso das forças políticas. Neste tempo, que é de exigência na negociação, no diálogo e no entendimento espero que, ao lado, esteja também o tempo da responsabilidade”, observou.

 



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