A maior bebedeira de Best foi com uma loira. A dos Blondie

por Mariana Pinheiro, Publicado em 08 de Dezembro de 2009   
As bebedeiras de George Best são importantes e ficam na história. A maior de todas aconteceu há 30 anos, quando conheceu Debbie Harry
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Digamos que foi uma boa desculpa. Uma loira que tirou George Best do sério e lhe fez perder a cabeça. E não. Não foi uma cerveja, como eventualmente poderia pensar. O fim da noite é que foi semelhante a muitos outros. Best, a superestrela de futebol, mergulhado entre canecas num pub escocês e uma fotografia da fatídica noite para imortalizar a cena. Há 30 anos, Best conheceu a muito loira e espampanante Debbie Harry, vocalista dos Blondie, talvez a mulher mais fotografada daquela altura, e conheceu também Jean-Pierre Rives, jogador da selecção francesa de râguebi.

Debbie estava em Edimburgo por causa de um concerto. Rives por causa de um jogo frente à selecção escocesa que tinha acontecido nesse dia. E ambos queriam conhecer Best. Os interesses é que eram diferentes. E os três embebedaram-se como se não houvesse amanhã. E de facto não houve. Escusado será dizer que George Best falhou o jogo do dia seguinte. "A escolha não era difícil, certo? Sair com a Debbie Harry ou jogar frente ao Ayr United? Obviamente, muitos de nós teríamos feito exactamente o mesmo que o George fez", diz Jackie McNamara Snr., que tal como Best alinhava pelo Hibernian na altura.

Nessa manhã, George Stewart, capitão do clube de Edimburgo, passeava pelos corredores do antigo North British Hotel, agora chamado de Balmoral, quando viu Best, em quase coma alcoólico, a ser carregado em braços, escadas acima, pelos técnicos John Fraser e John Lambie. E ouviu um grito de Turbull, treinador principal, para calar a boca, enquanto o médico da equipa tentava trazer o craque irlandês de volta à vida. "Deram-lhe tanta medicação que era capaz de levantar um morto da campa. Mas nem assim, Best não reagiu", conta Stewart.

George era a cruz que os técnicos do Hibernian não queriam carregar. Não estavam habituados ao mediatismo de uma estrela que brilhou anos a fio no Manchester United. Mas poucos se insurgiram com a rebeldia do jogador. Best impressionava tanto os homens como as mulheres e veio quebrar o marasmo a que o clube escocês sucumbira. As façanhas de Best não tardaram a aparecer. Noites passadas em festas londrinas com Rod Stewart, Brit Eckland, uma ex-bond girl loirissíma, John Lennon e Michael Caine, passaram de boca em boca. "Ele era uma pessoa adorável. Um ser humano imensamente popular", relembra Jackie McNamara. "Ele era completamente viciado em loções e cremes para o corpo e volta e meia oferecia-nos. Eram produtos bastante caros, franceses, que custavam cerca de 100 libras cada (cerca de 110 euros)". Gordon Rae, que também partilhou o campo com o futebolista irlandês, acrescenta: "Era ver-nos todos em fila, à espera, para espalhar os tais cremes no corpo. Depois saíamos dos balneários a cheirar igual ao George e andávamos por ali na esperança que alguma da magia dele junto das mulheres, resultasse connosco."

A melhor exibição de Best foi a estreia no clube frente ao Rangers, a 22 de Dezembro. Um adepto atirou-lhe uma caneca para o relvado. Best apanhou-a do chão, fingiu que bebeu e saudou o estádio que o aplaudia. Iluminado pela cerveja que não bebeu, marcou golo e o Hibernian ganhou por 2-1. Mas foi apenas um lampejo. A ideia de que sozinho salvaria o clube, estava errada. E assim, esta foi considerada a maior e a mais infame bebedeira do futebolista. Custou-lhe o rescisão do contrato, mas pelo menos ficou com a miúda.


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