Mundial-2010
Brasil: cinco vezes campeão não é para quem quer. É para quem pode
Publicado em 05 de Dezembro de 2009
"Todo o mundo tenta, mas só o Brasil é penta". O cântico é famoso e verdadeiro. Não há selecção de futebol que tenha um palmarés tão recheado a nível internacional como a brasileira. Aliás, o próprio nome por que é conhecida diz tudo. Na gíria desportiva, escrete utiliza-se para aquele que à partida é favorito à vitória.
O Brasil é mesmo assim. Onde entra, é favorito. Na África do Sul não foge à regra. Ainda por cima com a história a seu favor. De acordo com a tradição, apenas a Argentina ou o Uruguai poderão evitar novo título mundial para a equipa de Dunga. É que até ao momento, nunca uma selecção europeia conseguiu conquistar uma fase final numa prova que se tenha disputado fora do continente europeu. Até para baptismos, o Brasil parece ter jeito: venceu quando o Mundial chegou aos Estados Unidos, em 1994, e venceu no primeiro Mundial organizado na Ásia, na Coreia do Sul e no Japão em 2002.
Na África do Sul, a tendência parece ser ainda maior porque a campanha para o apuramento foi demolidora. Em 1994, foi relegada para segundo plano pelo brilhantismo da Colômbia (5-0 à Argentina durante o apuramento), enquanto em 2002 Luiz Felipe Scolari esteve até à última para carimbar a presença. Agora, nem com Dunga, um técnico muito criticado pelas suas opções e estilo de jogo pouco atacante, o Brasil parece ter forma de ser parado. E Portugal já experimentou desse veneno.
Foi apenas um jogo particular, e disputado no Brasil, mas a derrota por 2-6 deixou marcas na selecção de Queiroz que demoraram muito tempo a sarar.
A confiança brasileira é tão grande que até conseguiram derrotar a Argentina no terreno do principal rival. Por isso, não é de estranhar que seja a selecção mais temida do grupo de Portugal. A Coreia do Norte é a mais fraca e a Costa do Marfim, apesar de ter um enorme potencial, não deixa de ser uma incógnita, mas o Brasil... o Brasil é o Brasil.
Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan, Dani Alves, Felipe Melo, Gilberto, Ramires, Kaká, Robinho e Luís Fabiano é apenas uma das múltiplas combinações à disposição de Dunga. É por isso mesmo que já se disse tanta vez que o Brasil poderia ter, facilmente, mais do que uma selecção no Mundial. Pepe, Deco e Liedson, entre muitos outros, ajudam a explicar isso.
As alternativas são tantas que um dos melhores jogadores a actuar em Portugal, Hulk, deverá ficar de fora. Tal como Adriano. Ou Ronaldo, o fenómeno que renasceu mais uma vez no Corinthians. E depois ainda há Nilmar, um avançado goleador que, apesar de jogar pouco, conseguiu marcar cinco golos, cumprindo uma média de um a cada 71 minutos.
O jogo com Portugal chega na terceira jornada numa altura que poderão estar qualificados, mas há uma imagem a defender. "Temos uma rivalidade grande e sem dúvida que será um jogo emocionante. Vamos estar bem", disparou o seleccionador Carlos Dunga, antecipando o jogo de 25 de Junho.
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