"André Villas Boas? É os ouvidos e os olhos de José Mourinho", diziam os ingleses. "André Villas Boas? É um mini-Mourinho com a obsessão pelas estatísticas", defendiam os italianos. O jovem treinador da Académica esteve cinco anos na sombra do Speciale, outrora Special, mas assumiu há mês e meio o papel de actor principal no resgate dos bons resultados da Académica. Até ao momento, o guião não podia ser melhor - apenas uma derrota (no Dragão, por 3-2) e a fuga ao último lugar da Liga. Mas agora o filme é outro e pela frente terá um Benfica esmagador, com média de quatro golos por jogo em casa. Sem problemas, pensará o antigo técnico e director da selecção das Ilhas Virgens Britânicas - há mais um "Relatório Minoritário" em execução.
Villas Boas, aqui no papel de Tom Cruise, sempre foi o homem que lia o pensamento dos adversários que defrontavam as equipas lideradas por Mourinho: no Benfica, às escondidas; no FC Porto, quase às claras; no Chelsea e no Inter, de forma aberta. No início de cada semana, o bisneto do primeiro Visconde de Guilhomil fechava-se num gabinete e passava horas a fio a ver cassetes dos encontros dos adversários seguintes. Resultado: relatórios de cinco páginas (ou melhor, quatro, mais uma capa bem desenhada) que esmiuçavam tácticas e segredos escondidos. E um desses documentos acabou por cair na mãos de jornalistas ingleses, que rapidamente publicaram tudo nos jornais. A 19 de Novembro de 2005, os blues venceram com facilidade o Newcastle por 3-0, tiveram 57% de posse de bola e permitiram apenas quatro remates à formação de Michael Owen e companhia.
ÓSCAR Desde que assumiu o comando dos estudantes, Villas Boas fez sete pontos em 12 possíveis: perdeu no Dragão, ganhou em casa a V. Guimarães e V. Setúbal e empatou em Leiria. Agora, vai encontrar um dos treinadores que melhor estuda (e anula) os adversários: Jorge Jesus, que viu o Sporting dominar o arranque do dérbi por desconhecer a forma como a equipa de Carvalhal se iria apresentar em Alvalade tacticamente. Ambos estão nomeados para o Óscar de amanhã mas no futebol só há uma estatueta por jogo.
Poucos conseguiram antecipar o pensamento de JJ, mas Domingos é uma inspiração: além de ter ganhado às águias pelo Sp. Braga, comandou os estudantes nas dois últimos jogos (e vitórias) na Luz. E há mais um pormenor de interesse - Villas Boas viaja até à capital duas semanas depois de ter sido dado como certo no comando do Sporting; o acordo abortou mas o contrato foi revisto e hoje ganha o dobro.
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