Comprar Loja chinesa? Sim. Loja dos trezentos? Isso é que não

por Rodrigo Affreixo, Publicado em 04 de Dezembro de 2009   
Resista à tentação, afaste-se dos centros comerciais e dedique-se a explorar os mercados de Natal. Chegou a época dos presentes e nalguns casos até pode ajudar o próximo enquanto avia o sapatinho
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Tudo começou em Amesterdão, em 2005, com uma típica história "boy meets girl". Alexandre Campos, que faz carreira universitária em Biologia, agora com 36 anos, estava por lá, com uma bolsa de investigação. Na residência universitária, no mesmo corredor, vivia Qiao Qiao (leia-se Xau Xau, como o arroz), agora com 31 anos, a fazer um mestrado em Nutrição Humana. Apaixonaram-se e vieram juntos para Lisboa, onde casaram, em 2007. Em Abril de 2008, Alexandre foi colocado no Porto e mudaram-se. Foi então que surgiu a ideia de abrir esta loja especificamente chinesa, que inaugurou em Setembro passado.

Qiao Qiao foi à China, fez contactos e voltou cheia de coisas. "Vivia cá e via muitas lojas chinesas. Quando regressei à China é que vi bem o contraste, porque a imagem que as pessoas têm da China, aqui, é muito diferente da minha", explica. "Então, durante o Ano Novo Chinês, em 2008, comecei a ter a ideia de trazer mais coisas originais da China." Qiao Qiao é de Chengdu/Sichuan, "a terra do grande panda". Algumas coisas vêm de lá, mas a maior parte dos contactos foram feitos em Pequim, onde "há mais hábitos culturais, mais moda, mais design".

Na China Qiao, encontramos moda feminina chinesa: roupa (sobretudo de algodão e linho, com aplicações feitas em tear), mas também carteiras, bijuteria de prata e alguns objectos decorativos. Os preços podem oscilar entre os 30 e os 300 euros. O artesanato e a recuperação da tradição presidem ao conceito por detrás desta escolha. "É uma combinação. Os designers tentam manter o feeling tradicional e representá-lo num novo conceito. Tentam interpretar os símbolos chineses, como o lótus, as nuvens ou o peony, a flor nacional da China, que simboliza a prosperidade", afirma. "Estes produtos não são assim tão fashion. Mesmo na China, esta roupa não é tão massificada, é mais alternativa. A maior parte das roupas é de dois designers, que só têm lojas em Pequim e na minha terra. É bastante selectivo, as pessoas que gostam de ir à Zara não usariam este tipo de coisas."

No que se refere a objectos decorativos, há crafts de rara beleza, como uns fios com macacos, para pendurar, baseados em várias figuras do zoodíaco chinês. "São bonecos tradicionais do Norte da China, muito artesanais, hoje em dia raros na cidade. São típicos do Ano Novo Chinês e muito coloridos porque, em geral, os chineses gostam de cores."

Ainda antes de abrir a loja, Qiao Qiao fez a primeira experiência na Feira Internacional de Artesanato, em Lisboa, e "foi um êxito". Este tipo de feiras, como o Mundo Mix, continuam a ser uma aposta. "As pessoas gostam, é uma novidade, traz algo de diferente", diz. Mas os projectos de Qiao Qiao não se ficam pela roupa... "Gostava de fazer disto mais do que uma loja, queria que fosse uma janela cultural sobre a China", confessa. "No futuro, gostava de fazer workshops relacionados com a cultura chinesa, com introdução a diferentes áreas: língua, artesanato, música e, claro, comida." Aliás, se tudo correr bem, a próxima ideia de Qiao Qiao é abrir "um bom restaurante chinês". Para o português perceber, finalmente, que a verdadeira gastronomia chinesa não é bem aquela que tem andado a engolir.

Rua do Rosário 284 - 4050-522 Porto. 226 053 929
De segunda-feira a sábado, das 10h30 às 19h30
Encerra ao domingo e feriados


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