Após 30 anos de deambulações pelo mundo, o médico Fernando Nobre passou para o papel os “enormes desafios e ameaças” que a humanidade enfrenta e a sua esperança no “fortalecimento da cidadania global solidária”.
Para assinalar os 25 anos da Assistência Médica Internacional (AMI), à qual preside, Fernando Nobre lança hoje o livro “Humanidade - Despertar para a cidadania global solidária”, uma obra com mais de 300 páginas dedicada à mulher, aos quatro filhos biológicos e aos de “todo o mundo”, aos futuros netos e bisnetos, familiares e amigos.
“Este é o meu testamento antes do tempo. Já posso morrer que está lá escrito o que eu penso, tanto em termos globais como em termos nacionais”, disse à agência Lusa o médico especialista em Cirurgia Geral e Urologia.
O fundador da AMI identifica na primeira parte do livro os 12 doze grandes desafios e/ou ameaças globais que, a seu ver, “condicionam decisivamente” o futuro da Humanidade.
“Não hesito em afirmar que se não forem encontradas repostas adequadas e céleres a tão pungentes e prementes desafios (…), é o próprio futuro da espécie humana que estará, a médio prazo (duas ou três centenas de anos), em causa. Entendam como quiserem: este é o meu vaticínio”, escreve no prólogo do livro.
Para o médico, os desafios são “a miséria, a exclusão, o desemprego e o comércio justo”, “a crise climática e ambiental”, “as guerras e as armas”, “as crises sistémicas das finanças e da confiança”, “a fome” e “os direitos humanos”.
“O Direito Internacional e a reforma das instituições internacionais”, “o terrorismo, a insegurança e a desgovernação”, “o subdesenvolvimento e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”, “as migrações”, “os confrontos culturais, sociais, religiosos e civilizacionais” e “as democracias” são os restantes desafios enumerados pelo médico.
Na segunda parte, aborda as suas seis esperanças e coloca nas “pessoas e no surgimento e fortalecimento da cidadania global solidária a sua maior esperança”.
“Boa governação global”, “cidadania empresarial global”, “condomínio da Terra”, “cultura, conhecimento, memória e tecnologia” e “espiritualidade” são as outras esperanças do médico que já percorreu mais de 170 países e participou em mais de 70 acções humanitárias.
“Acho que tenho o direito e o dever de dizer exactamente aquilo que penso e transmitir a visão do mundo e do meu país, e alertar para as coisas que me parecem essenciais”, disse à Lusa.
Para o médico, todos os desafios são globais: “não os podemos resolver a nível local” e têm de ser combatidos através da solidariedade.
“Sem solidariedade não vejo resposta cabal que possa enfrentar os 12 desafios”, sublinhou o médico, nascido em Luanda em 1951.
O lema de Fernando Nobre resume-se, nas suas palavras, “a uma postura simples: recuso acomodar-me e não aceito inevitabilidades ou fatalismos, nem em nome do universo, do planeta, da Europa ou de Portugal”.
A razão do livro “é simples: ser um espaço de liberdade e de total frontalidade, onde exprimo sem constrangimentos, nem rodeios ou intermediários, as minhas reflexões e pensamentos mais enraizados sobre os desafios, ameaças e esperanças globais que me interpelam enquanto cidadão do mundo e português, convicto de alertar consciências após mais de 30 anos de deambulações pelas quatro partidas do Mundo”.




Rating: 0.0
Actividade em ionline