Música

Super Bock em Stock: 30 bandas, 2 dias. Agora escolha

por Luís Leal Miranda, Publicado em 03 de Dezembro de 2009   
Arranca amanhã o Super Bock em Stock, espécie de buffet de música contemporânea para gente com fome de novidades
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Ninguém no seu perfeito juízo vai andar a subir e descer a Avenida da Liberdade a altas horas da noite. Não é que a zona seja perigosa, simplesmente não há nada para fazer além de vaguear solitariamente entre a calçada e o alcatrão, a inalar monóxido de carbono. Depois das 19 horas, as lojas fecham, o trânsito acalma e a rua fica com aquele ar de festa de Natal da empresa - com uns quantos seres desanimados encostados aos cantos. Uma vez por ano, o cenário muda.

Há 12 meses, a primeira edição do Super Bock em Stock veio reanimar a bela adormecida Avenida da Liberdade e conseguiu a proeza de ressuscitar por dois dias o falecido Parque Mayer. Este ano, a história repete-se: dois dias, seis salas de espectáculo e mais de três dezenas de concertos.

Paga-se 40 euros por uma pulseira colorida que dá acesso a todos os concertos, mas não garante um lugar de pé. O Super Bock em Stock funciona um pouco como aqueles resorts do hemisfério sul para onde vão os finalistas das universidades privadas, ou um pequeno-almoço de um hotel de gama alta. É chegar, escolher e pôr no prato. Caso não se esteja satisfeito, pode sempre voltar-se atrás e mudar as opções. Com essa estrutura de buffet em mente, dividimos as duas noites ao jeito de dois grandes jantares de família: entrada, prato principal e sobremesa.

Entrada. A primeira noite começa com Anaquim no Maxime (21h00), projecto de música tradicional portuguesa de José Rebola. O concerto termina precisamente à hora em que sobem o palco os Wild Beasts (21h30, São Jorge), ingleses ainda desconhecidos que assinam um dos mais interessantes discos deste ano , "Two Dancers". No sábado vale a pena começar por experimentar o rock de Os Golpes (21h30, São Jorge) e, assim que soar o último acorde da banda portuguesa, passar para o Teatro Tivoli onde actuam os Beach House (22h15), duo de pop delicada que vai estrear canções novas.

Prato Principal Tem um disco novo e é um dos mais respeitados jovens trovadores da língua portuguesa: Samuel Úria está às 22h45 no restaurante Terraço do Hotel Tivoli. Do outro lado da rua, no Teatro Tivoli, outro português com direito a honras de prato principal, Legendary Tigerman. Quem preferir o rock indie feito nos EUA tem os Voxtrot no São Jorge, à mesma hora. Para sábado a especialidade da casa são os concertos de Little Joy (23h45, Teatro Tivoli) e Patrick Watson (00h45, São Jorge). Os primeiros são uma mini-superbanda com Rodrigo Amarente, dos Los Hermanos, e Fabrizio Moretti, dos The Strokes. Watson vai passear por Lisboa as suas canções rock com influências clássicas.

Sobremesa. Há quem passe logo do prato principal para o digestivo. Mas para muita gente, os doces são a principal razão pela qual se sentam à mesa. Os fãs da música de dança encaixam nesta última categoria, imprópria para diabéticos: Marcelinho da Lua vai animar o Parque de Estacionamento do Marquês a partir das duas da manhã, no primeiro dia. The Juan MacLean vai tentar fazer o mesmo no Maxime, durante o segundo dia, depois da meia-noite.



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