Tráfico internacional de droga
Geriu a Expo em 98. É acusado de esconder drogas em polvos
Publicado em 01 de Dezembro de 2009
João Caldeira acusado de traficar cerca de uma tonelada e meia de cocaína. Julgamento começa em Janeiro
As investigações começaram em Maio de 2005 quando a polícia espanhola avisou a Polícia Judiciária de que dois espanhóis, Manuel Cobas Gil e Francisco Santa Eulália, com ligações ao narcotráfico na Colômbia, estavam à procura de portugueses para facilitar a entrada de cocaína através de Portugal. O processo levou à apreensão de 1,4 toneladas de cocaína e à detenção do empresário João Caldeira.
Ficou marcado para dia 13 de Janeiro o julgamento do antigo gestor da Expo-98 João Caldeira, agora acusado de tráfico de estupefacientes agravado, juntamente com outros cinco arguidos - Fernanda Ramos, Pedro Fernandes, José Carlos Nunes, José Teles Vivas e Isidoro Gago. João Caldeira está preso preventivamente desde 18 de Fevereiro de 2008, altura em que foi detido pelas autoridades brasileiras, depois de ter sido emitido um mandado de captura internacional.
Foi extraditado para Portugal a 20 de Janeiro deste ano, depois de cerca de um ano nas prisões brasileiras. Aguarda julgamento no estabelecimento prisional junto à Polícia Judiciária de Lisboa. Fernanda Ramos chegou a estar presa de Janeiro a Agosto de 2008.
Início do processo Em 2005 chegou a haver encontros entre portugueses e espanhóis fotografados pela PJ num restaurante perto da Mealhada, mas os dois espanhóis acabaram por ser presos em Dezembro desse ano, noutro processo, em Espanha, com 121 quilos de cocaína.
Todavia, segundo o despacho do Tribunal Central de Instrução Criminal que pronunciou os arguidos, e ainda segundo a própria acusação, os contactos dos portugueses acabaram por ser feitos com os irmãos Francisco e Agustín Caiado, e José Ramos Pereira - suspeitos de trabalhar para o colombiano Carlos Naranjo Marin.
A PJ monitorizou estes contactos durante dois anos para, em Setembro de 2007, se aperceber de que um negócio de cocaína estaria a ser ultimado entre todos os arguidos e os três espanhóis. Nas conclusões da PJ, a célula espanhola financiava o negócio, enquanto a organização portuguesa fazia a recepção da mercadoria (com droga) e enviava-a posteriormente para Espanha. Uma operação que, no entender dos investigadores, rendia 500 mil euros a dividir pelos acusados. Inúmeras vigilâncias e escutas feitas pela PJ - onde se percebeu que João Caldeira estava na Venezuela - revelaram que o ex-empresário da Cooperativa do Mar da Palha estava a negociar com o venezuelano Rubem Castellano a vinda de um contentor de polvo através da empresa Caribbean Seafood.
A 22 de Dezembro de 2007, o cargueiro Triumph, vindo do porto de Maracaibo, na Venezuela, chegou a Lisboa carregado com 606 caixas de polvo congelado, das quais 235 continham cocaína. A descarga foi interceptada pela PJ no porto de Lisboa. O método para a recuperação da droga passava pela simples evaporação do gelo e viria a revelar 1,4 toneladas de cocaína num valor aproximado de 200 milhões de euros - antes da habitual mistura.
Os suspeitos no processo negaram o envolvimento em todo o caso, apesar de o Ministério Público e o Tribunal de Instrução insistirem na sua culpa. O processo esteve em fase de instrução e só em Julho deste ano ficou decidido, em despacho do juiz de instrução Carlos Alexandre, pronunciar os seis arguidos. O julgamento ficou marcado para 13, 20 e 27 de Janeiro de 2010.
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