A economia da depressão
por João Rodrigues, Publicado em 30 de Novembro de 2009
As reformas deverão diminuir a desigualdade económica excessiva, que está cada vez mais associada a problemas sociais
Intervenções recentes de dois empresários e de um psiquiatra ajudam a balizar a discussão das políticas para atenuar ou acentuar a depressão.
Ludgero Marques afirmou que os custos de trabalho e os trabalhadores são muitas vezes sacrificados no nosso país e defendeu um programa de investimento em habitação social e em reabilitação urbana para ajudar a combater o desemprego.
Alexandre Soares dos Santos declarou, por sua vez, que o aumento de impostos nos anos vindouros, que terá necessariamente de recair sobre os rendimentos e os consumos dos mais ricos, é um convite à fuga de empresas e de pessoas do país.
A política da chantagem, facilitada por uma União Europeia onde coexistem a liberdade irrestrita de circulação de capitais e a fragmentação nacional dos regimes fiscais, é apenas uma das faces da insegurança laboral generalizada. Este modelo económico está feito para gerar custos sociais e para conseguir transferi-los para os trabalhadores e para a comunidade.
O psiquiatra Pedro Afonso, em artigo no "Público", atribuiu o aumento das depressões aos ritmos desumanos de um sistema económico que gera crises e desemprego e que dá credibilidade às ameaças de quem controla os capitais. As depressões dos indivíduos e das economias estão ligadas. A política que importa é então a que promove reformas que mudam este estado de coisas a várias escalas: da taxação dos capitais para reduzir a volatilidade e a probabilidade de depressões ao uso dos instrumentos de política para combater o desemprego e reorientar as prioridades do sector privado. Por exemplo, a especulação imobiliária, uma das causas do endividamento excessivo de muitas famílias, deve ser substituída por uma política de habitação que promova a recuperação e o arrendamento a preços controlados, nem que para isso seja preciso socializar temporariamente edifícios, reabilitá-los e fazer dos municípios senhorios até se reaver o dinheiro público investido, como sugere a esquerda.
As reformas deverão diminuir a desigualdade económica excessiva, que está cada vez mais associada a problemas sociais, incluindo a prevalência de doenças mentais (consulte-se www.equalitytrust.org.uk). Aumente-se a progressividade do sistema fiscal; taxe-se o consumo ostentatório, que só promove as importações e a degradação ambiental; taxem-se as mais-valias fundiárias, que só promovem a corrupção no urbanismo; reintroduza-se um imposto sucessório bem desenhado para promover a ideia de que o futuro está aberto para todos.
As reformas necessárias requerem imaginação institucional e alianças políticas, orientadas por princípios socialistas.
Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas
Escreve à segunda-feira
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Artigo: A economia da depressão
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