Finanças políticas

Ser o patrão: saiba como abrir o seu próprio negócio

por Alexandre Soares, Publicado em 30 de Novembro de 2009   
Uma ideia de negócio é isso mesmo: uma ideia. Para se transformar numa empresa é preciso trabalho e planeamento
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Uma boa ideia é apenas o requisito inicial para constituir uma empresa. O poder das ideias é transformador, mas não é mágico. Depois de um momento particularmente luminoso, é preciso recolher informação e desenvolver a ideia. Em que área vou entrar? Que qualidades tenho que podem fazer o sucesso deste negócio? Estas são algumas das questões que devem colocar-se imediatamente. É preciso analisar experiências semelhantes, identificar pontos fracos e avaliar o potencial de lucro e crescimento, sem nunca esquecer os riscos. Em três palavras: plano de negócio.

É aqui que acontece o primeiro e maior erro. Muitos dos investidores não fazem um plano, mesmo sendo tão fácil encontrar indicações na internet para o fazer. No site do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI) pode encontrar um guia e um ficheiro Excel orientador. "Hoje as coisas estão muito facilitadas", explicou Rita Seabra, gestora do FINICIA, um programa do IAPMEI que ajuda as novas empresas a conseguir capital, ao i. A gestora lembra o "Empresa na Hora" e os "Centros de Formalidades de Empresas", distribuídos pelo país, que facilitam o processo. "O tempo médio de resposta a uma pergunta por e-mail destes serviços é 48 horas", garantiu.

Enquanto se constrói o plano de negócio, o pensamento positivo é para usar com moderação. "Os portugueses são demasiado optimistas com os seus planos. Muitas vezes não percebem que o projecto não tem aplicação no mercado", adiantou Manuel Teixeira, vice-presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) e responsável pela área do empreendedorismo.

Esta é uma característica dos menos experientes que também afecta os que têm um percurso profissional longo. Pessoas que abandonam os quadros de uma empresa para começar um negócio são, aliás, "uma tendência muito forte actualmente", conta António Teixeira. Para o gestor, este "desvio optimista" é mesmo um desígnio nacional: "Não somos dotados para perceber os sinais do mercado."

Passada a fase de planeamento, é preciso dinheiro. A maioria das empresas constituídas no país inicia-se com um capital social de cinco mil euros. O responsável da ANJE diz que "a nossa banca é completamente conservadora" e que a crise financeira não ajuda à concessão de crédito. Então, sem capital próprio, e depois de um choque frontal com as instituições bancárias, a sua ideia morre num canto escuro? Não. Os "business angels" e parceiros de negócio não são uma tradição no país, mas António Teixeira explica que esse caminho está a ser feito, mesmo que empurrado pelas instituições do Estado.

Em dois anos, o FINICIA ajudou mais de 500 empresas e financiou cerca de 70 através de participação em capital de risco, serviços de crédito ou a a linha "Early Stage", que dá acesso a taxas de juro mais baixas.

O FINICIA e o ANJE também encaminham para os serviços de incentivo à inovação e ao empreendedorismo (do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, FEDER), mas a gestora Rita Seabra alerta que é enganador contar com a sua ajuda. "Estão muitos selectivos e só os projectos mais inovadores são apoiados." Apesar disso, e após muitos anos em que os incentivos se centravam nos jovens, o vice-presidente da ANJE diz que os apoios são agora semelhantes para todos. Além destes programas, a sua condição irá determinar o tipo de apoios com que pode contar. Se estiver desempregado, será encaminhado para o Instituto de Educação e Formação Profissional (IEFP), onde pode ter acesso a um incentivo de criação do primeiro emprego, por exemplo; se não for esse o caso, o ministério da Economia é o lugar onde se deve dirigir. "Os programas por vezes tocam-se", lembra António Teixeira, "mas têm objectivos diferentes".

Depois, assinar escrituras, fazer registos no notário, inscrever-se na segurança social, enfim, tratar da papelada. António Teixeira diz que "não é uma fase crítica, em que se jogue o sucesso de uma empresa". Mesmo assim, refere que é preciso conhecer as várias opções (Sociedade Anónima, por Quotas, Unipessoal por Quotas ou em Nome Colectivo, por exemplo) e perceber que o processo burocrático de constituição de cada uma obedece a regras particulares. E já está. O seu negócio pode abrir.

Ainda assim, não pode respirar fundo. Os primeiros cinco anos são a prova de fôlego, uma verdadeira fase crítica. Portugal tem um saldo positivo na formação de empresas, os últimos dados indicam que entre Agosto de 2008 e Agosto deste ano formaram-se 31 mil novas empresas e dissolveram-se menos de 18 mil. No entanto, os especialistas dizem que ainda se cometem muitos erros. "Não contava com o concorrente, vendo menos do que esperava, veio a crise e estragou tudo", descreve António Teixeira. "Tudo problemas motivados por um planeamento deficiente." É o regresso ao início, e a três palavras fundamentais: plano de negócio.


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