O presidente da mesa do congresso do PSD defendeu hoje que é “fundamental que se escolha bem” a nova liderança do partido mas rejeitou a necessidade de eleições antecipadas, sublinhando que a discussão do Orçamento deve ser a prioridade.
“É natural que haja pessoas um pouco nervosas e ansiosas por iniciar a corrida, mas penso que devemos fazer o processo com tranquilidade, porque o momento é complicado, em termos de partido e de país, e portanto teremos de ter o cuidado de não cometer erros e de encontrar uma solução que seja satisfatória”, afirmou Rui Machete aos jornalistas, no final de um colóquio de homenagem ao antigo coronel Melo Antunes, na Fundação Gulbenkian.
Nas últimas semanas, vários presidentes de distritais do PSD, incluindo os de Lisboa e do Porto, defenderam a marcação de eleições directas antecipadas para a presidência do partido.
Na opinião de Rui Machete, ex-ministro social-democrata e presidente da Fundação Luso-Americana (FLAD), os dirigentes do PSD devem ser “ponderados”: “Os partidos não são apenas dos seus membros, têm uma função política extremamente e portanto de algum modo são responsáveis perante o país”.
Questionado sobre se este intervalo de tempo até às eleições do próximo ano fragilizam o PSD, Machete considerou que não. Sublinhou que o país atravessa “um processo político complicado, difícil e preocupante em vários aspectos e portanto tudo está sempre muito frágil” e que o que é “fundamental” quando chegar o momento de eleger a nova liderança “é que se escolha bem”.
“Isso é que me preocupa efectivamente”, reforçou.
“Não acho que fragilize particularmente, se se prolongasse muito no tempo fragilizaria, mas neste momento é importante que o Orçamento seja discutido, é importante que o partido, que é o principal partido da oposição, não esteja distraído com uma coisa que é extremamente importante que são as eleições para o seu líder, mas que, pelo contrário, preste atenção ao problema do Orçamento”, declarou.
“Acho que as coisas estão a correr conforme o previsto, isto é, decidimos no Conselho Nacional que deveria em primeiro lugar dar-se ao Orçamento e que era importante que não houvesse um período eleitoral que decorresse em paralelo porque isso, inevitavelmente, desviaria as atenções, mas que a seguir se deveria imediatamente dar lugar a esse processo eleitoral, julgo que é o que se vai fazer”, concluiu o social-democrata.




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