"Com estas propostas, a ruptura da
Segurança Social não era para daqui a uns anos, era no próximo Orçamento do Estado", disse ontem a deputada socialista
Sónia Fertuzinhos num debate no Parlamento. Esta posição, adoptada face as propostas do
Bloco de Esquerda e do
PCP, que prevêem o
acesso à reforma sem penalizações de todos os trabalhadores que tenham 40 anos de trabalho e descontos para a Segurança Social, independentemente da idade, antecipa a
inviabilização de uma medida que iria beneficiar
84 mil pensionistas.
O
PSD também já disse que vai votar contra. Como explicou
Adão Silva, "em tempos normais é uma injustiça que um cidadão que tenha 40 anos de trabalho não tenha direito a uma pensão completa. Só que vivemos tempos invulgares", referindo-se à crise económica.
Segundo o
PS, a aprovação da proposta implicaria que "nos próximos cinco anos teríamos anualmente a despesa de
mil milhões de euros". "Só defende um sistema público de segurança social quem garante a sua sustentabilidade". Segundo a notícia avançada hoje pelo “
Diário de Notícias”, “a introdução do factor de
sustentabilidade implica, na prática, um
aumento da idade da reforma”. “A fórmula prevê sucessivos cortes à medida que aumenta a esperança média de vida (este ano a penalização é de 1,32%). A alternativa é trabalhar mais tempo, além dos
65 anos”, acrescenta o jornal.
"Achamos no mínimo estranhas as contas que apresentou", reagiu o deputado do PCP Jorge Machado, sublinhando ainda que isto "Isto implica um acréscimo de
12 mil euros por pessoa, por ano”. “Qual é a reforma que implica este acréscimo quando estamos a falar de pensões absolutamente miseráveis?", questionou Sónia Fertuzinhos.
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