Passos Coelho: tabu sobre o PSD, palavras sobre justiça

Publicado em 26 de Novembro de 2009   
"A corrupção está centrada em negócios que estão nas mãos do Estado" afirma Passos Coelho, numa tertúlia sobre justiça
Opções
a- / a+
O único candidato assumido à liderança do PSD, Pedro Passos Coelho, rendeu-se à tese do tabu: não fala sobre o seu partido: "Neste momento não comento a vida interna do PSD", disse ao i Pedro Passos Coelho, à margem de um jantar/tertúlia que decorreu, ontem à noite, no Porto. Mas não é preciso que Pedro fale para que se oiçam os apelos: as eleições directas do partido devem ser antecipadas. E os apoiantes de Passos Coelho começam a posicionar-se: admitem que, com o Orçamento Rectificativo a ser discutido em Dezembro, uma nova direcção deverá estar já em funções no mês de Janeiro para discutir o Orçamento de Estado de 2010.

Marco António Costa, reeleito para a distrital do Porto, desferiu duros golpes a Manuela Ferreira Leite e à sua direcção e pediu ontem, ontem, em entrevista ao i, que a questão da liderança fosse resolvida. Carlos Carreiras, que hoje apresenta a sua recandidatura à distrital de Lisboa contra a candidatura de Jorge Bacelar Gouveia, diz ao i que as eleições devem ser antecipadas: "Logo após a votação do Orçamento de Estado na generalidade e não depois da votação na especialidade." O partido ainda vai a tempo de apresentar uma outra candidatura? Carlos Carreiras avisa: "Até princípio de Janeiro não é tarde, mas não podemos é perder mais tempo."

Justiça Passos Coelho foi convidado para discursar no primeiro aniversário do Restaurante Buhle, no Porto, um jantar/tertúlia que se prolongou pela noite dentro. O tema foi "A importância da reforma da justiça para a criação de um Estado de confiança", num momento em que o processo "Face Oculta" marca a agenda política. José Pedro Aguiar-Branco, líder da bancada parlamentar do PSD, quer uma comissão eventual de acompanhamento do combate à corrupção, posição que já mereceu as críticas do Provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa: essa comissão sobrepõe-se em matéria de competências ao Conselho de Prevenção de Corrupção. Sobre a importância da nova comissão anticorrupção, Passos Coelho lembrou: "Infelizmente, ao longo dos últimos anos, têm vindo a adensar-se as suspeitas de que esse fenómeno [corrupção] possa estar a aumentar no país", ou seja, "as relações entre os cidadãos, as empresas e o Estado não é justa, nem tem equidade". Por isso, sustenta, "tudo o que no plano político e formal possa contribuir para combater este fenómeno deve ser encarado de forma positiva pelas diferentes forças políticas". Porém, "convém não nos iludirmos. A corrupção está centrada em negócios que estão nas mãos do Estado. Por isso, o combate deve passar, em primeiro lugar, por aferir muito bem o que deve estar nas mãos do Estado e o que deve estar nas mãos da sociedade civil. Em segundo lugar, aumentar as regras de transparências das tomadas de decisão". É que, diz, estas são medidas que "podem garantir aos portugueses que não há cidadãos de primeira e de segunda, ou seja, os que têm poder e os outros que têm de cumprir a lei e cumprir com as regras que são observadas." E o caso Face Oculta será o espelho do Estado? "Estamos a cometer um erro grave que é o de nos querermos substituir à justiça naquilo que cabe à justiça apreciar", disse Passos Coelho, deixando um aviso: "Estamos a pisar uma linha que é muito ténue e perigosa entre o dever de transparência que os órgãos de justiça têm de informar o país sobre as suas decisões e a tentação de julgarmos a justiça e colocarmo-nos no papel dos magistrados e dos juízes para saber se eles estão a decidir bem ou mal".


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close