Cebrián garante que decisão de acabar Jornal Nacional foi de Bairrão

por Adriano Nobre, com Lusa, Publicado em 26 de Novembro de 2009   
Administrador da Prisa garante que não interferiu na suspensão do Jornal Nacional de Moura Guedes
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O administrador-delegado do grupo Prisa, Juan Luis Cebrián, criticou ontem a "agitação política" que inviabilizou o negócio entre a holding espanhola e a Portugal Telecom para a entrada da operadora no capital social da TVI. "O que tínhamos estabelecido eram negociações estritamente profissionais, que infelizmente não chegaram a bom termo", explicou à Lusa o responsável da Prisa, classificando como "equívoco" as interpretações políticas do negócio.

A polémica surgiu em Junho, depois de o i ter noticiado a existência de negociações entre PT e Prisa. A situação foi fortemente criticada pelos partidos da oposição, que viram nesse acordo uma tentativa de interferência do governo na linha editorial da TVI. A três meses das legislativas, Sócrates anunciou que o governo ia usar a golden share na PT para vetar o negócio.

Embora tenha saudado o acordo estabelecido com a Ongoing, o administrador da Prisa usou ainda a polémica em torno do acordo entre PT e TVI para criticar "as contradições entre as capacidades dos governos nacionais e a realização do mercado único" nas telecomunicações.

Igualmente envolta em polémica - também por suspeitas de pressão política - esteve a suspensão do Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes, que José Sócrates chegou a apelidar de "jornalismo travestido" e "caça ao homem". Questionado sobre o seu envolvimento, Cebrián explicou que a decisão terá sido da exclusiva responsabilidade do administrador da Media Capital, Bernardo Bairrão. "As decisões da TVI são tomadas autonomamente pelos directores", disse. E garantiu que raramente tem contactos com o governo português.

Cebrián revelou mesmo que nunca viu "esse telejornal tão famoso" e que não conhece Moura Guedes, admitindo só que, "depois de tomada a decisão", recebeu "notícias de amigos portugueses e espanhóis dizendo que esse telejornal não coincidia com o estilo dos meios do grupo Prisa".


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