A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola informou hoje que tomou conhecimento de “irregularidades ocorridas com pagamentos efectuados ao exterior” feitos no Ministério das Finanças e no Banco Nacional de Angola, “resultante de operações falsificadas”.
Em comunicado, divulgado hoje pela Rádio Nacional de Angola, a PGR informa que, “em coordenação com outras autoridades competentes, vai envidar esforços no sentido de se apurarem os factos considerados ilícitos criminais”.
Sem avançar mais pormenores, o documento salienta ainda que a PGR vai investigar a obtenção e tratar da devolução de montantes subtraídos ao tesouro nacional.
A PGR prometeu apresentar os presumíveis autores dos referidos actos ilícitos ao tribunal.
Este comunicado da PGR surge, alguns dias depois de o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, ter, na última reunião do Comité Central do seu partido, MPLA, chamado à atenção para a “tímida acção de fiscalização dos actos de gestão do Governo”.
José Eduardo dos Santos afirmou ainda que esta circunstância “foi aproveitada por pessoas irresponsáveis e por gente de má fé para o esbanjamento de recursos e para a prática de actos de gestão ilícitos e mesmo danosos ou fraudulentos” para os quais pediu “tolerância zero” do Parlamento.
Já hoje, em reacção à iniciativa da PGR, Isaías Samakuva, líder da UNITA, maior partido da oposição, considerou como “bem-vinda” a acção da Procuradoria, apontando que “é a primeira vez que esta está a cumprir o seu dever”
Samakuva disse que “gostaria de ver a PGR avançar com os nomes”, sublinhando que “são muitas as denúncias” para “apenas uma acção”, que “agora é preciso esperar para ver” e apelou para que “não sejam apenas os responsáveis do passado” a ser visados pelas autoridades judiciais.
Já hoje o líder da UNITA, numa declaração pública sobre as razões que levaram o seu partido a avançar com uma moção de censura ao Governo do MPLA, apontou como um dos exemplos da corrupção em Angola as transferências de avultadas somas para Portugal “para comprar até empresas falidas para branquear dinheiro roubado ao povo de Angola”.
Sobre estas denúncias, o líder da UNITA apontou o “silêncio conivente” do Governo de Luanda.




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