Surpreendente. Que uma empresa chegue a um mercado virgem e o tome de rompante, ocupando um espaço tão largo que os concorrentes se acotovelam para conseguir aproveitar os restos, é de aplaudir. Mas que o faça duas vezes nas barbas dos adversários é verdadeiramente de admirar. Foi o que fez a Amazon, primeiro com a venda de livros online, depois de com a venda de leitores de livros electrónicos offline. É de génio: a empresa liderada por Jeff Bezos meteu-se num campo que não era o seu e deu uma abada, passo a expressão, às tecnológicas que já andavam há uns anos a tentar "criar" o mercado dos eBooks. A Sony pode queixar-se da sorte, dos tempos, do timing... mas a verdade é que está a ser esmagada pela popularidade do Kindle.
Que vem a ser isto do Kindle, afinal? Uma espécie de iPhone dos leitores de eBooks. O novo DX tem a dimensão de uma folha A4 (é bem maior que os anteriores), pode armazenar 3500 livros e não precisa de computador para funcionar (a conectividade é wireless). Além disso, e aqui vem a parte que mais nos interessa, tem "um plano" para salvar a indústria dos jornais. O que vai permitir, por exemplo, que alguém num rancho do Texas tenha acesso ao San Francisco Chronicle ou ao New York Times (fora da área de distribuição).
Ora uma coisa destas em Portugal seria excelente para a imprensa regional e de especialidade. Imagine-se a poupança no custo da distribuição! A má notícia é que a Amazon não vende o Kindle fora dos Estados Unidos. E por isso, a única coisa que podemos fazer é apreciar de longe os coelhos que Jeff Bezos vai sacando da cartola. E pensar que até a computer-challenged Oprah Winfrey tem um Kindle!




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