Copenhaga: destino para o ambiente ou só uma escala a caminho do México
Publicado em 24 de Novembro de 2009
A 13 dias do encontro de líderes, Copenhaga parece condenada ao fracasso. Haverá esperança?
Última chamada para Copenhaga. Não há espaço para atrasos, indecisões, nem para bagagem perdida. Faltam menos de duas semanas para começar a cimeira, mas as expectativas continuam divididas. De Copenhaga, sairá um acordo pós-Quioto ou será apenas um passo para o encontro dos líderes mundiais em 2010?
"Não me restam dúvida de que será um êxito. Li as opiniões que dão conta do fracasso das negociações, mas essas pessoas estão enganadas", disse Yvo de Boer, secretário-geral das Nações Unidas (ONU) para o clima, numa conferência de imprensa no último fim-de-semana. Apesar de considerar que de Copenhaga poderá não sair um acordo entre os participantes, o responsável assegura que todos os dias há novos países a quererem reduzir emissões de dióxido de carbono, avançando inclusivamente os valores dessa redução.
O novo acordo entre líderes mundiais deveria entrar em vigor antes de terminar a primeira fase do Protocolo de Quioto, em Janeiro de 2013 (de acordo com o combinado na conferência de Bali, em 2007). Ainda assim, o cenário Copenhaga constrói-se, para muitos, como um passo para um verdadeiro acordo global, que só deverá acontecer num novo encontro, marcado para o México, em 2010.
Quem matou Copenhaga? Ao mesmo tempo que a União Europeia recusa as piores expectativas, dentro da instituição há vozes que já antevêem um resultado negro para a cimeira que começa a 7 de Dezembro. Edite Estrela, eurodeputada em Bruxelas, considera que as desculpas apresentadas pelos países já não são credíveis. "A crise é desfavorável, mas também é usada como álibi para aqueles que querem fazer pouco", lamenta a eurodeputada ao i. "É preciso mostrar que é possível conciliar desenvolvimento económico com uma política verde", acrescenta.
A União Europeia comprometeu-se a reduzir o volume de emissões de gases com efeitos de estufa em 20% até 2020, meta assumida também pela Rússia. No entanto, a verdade é que os países europeus representam apenas 14% da poluição mundial. Metade, está a cargo dos Estados Unidos e da China, que vão aproximando pareceres mas ainda não chegaram a acordo.
As desavenças reflectem-se também nas presenças já confirmadas para o encontro em solo dinamarquês: Merkel, Sarkozy e Brown já confirmaram, assim como Lula da Silva. O presidente brasileiro assegura que o país reduzirá até 40% a emissão de gases nocivos, uma meta a alcançar até 2020. "Vou a Copenhaga, mas acredito que, neste momento, só a presença dos líderes pode mudar alguma coisa", disse. Lula da Silva tem ocupado um papel de relevo, para levar EUA, Índia e China a chegarem a um acordo. Neste âmbito, as vozes mantêm-se dissonantes. Se os EUA e a China tentam um acordo em matéria de emissões, a Índia, acaba de anunciar que continuará a aumentar as emissões, sublinhando que essa não é uma das principais preocupações ecológicas do país. "Não esperem demasiado de Copenhaga", alertou o ministro do Ambiente indiano, Jairam Ramesh. A Índia continua sem confirmar a presença, assim como Barack Obama e Hu Jintao.
Debate vespertino Ontem, em Bruxelas, os ministros do Ambiente dos 27 comprometeram-se a assumir a liderança no combate às alterações climáticas, e a fazer todos os esforços para que a cimeira de Copenhaga - de 7 a 18 de Dezembro - seja bem sucedida. As ideias foram apresentadas por Stavros Dimas, comissário europeu para o Ambiente, a 28 de Setembro, com o objectivo de "colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar através da liderança europeia nas políticas sociais e verdes pós-2010". A ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, garantiu ontem que Portugal tem condições para assumir o esforço europeu de redução nas emissões de gases com efeitos de estufa, apesar de não ter adiantado valores. "Não temos números rigorosos, mas temos a noção de como é que poderemos acomodar essa nossa participação", afirmou depois da reunião com os homólogos europeus.
Hopenhagen "Cope" transforma-se em "Hope" (esperança) em menos de um minuto, enquanto as imagens do mundo inteiro vão aparecendo, uma a uma. O movimento "Hopenhagen" (www.hopenhagen.org) é a "oportunidade de um novo começo". A campanha da Ogilvy, pretende mobilizar os cidadãos e obrigar os líderes mundiais a fazerem parte do processo de luta contra as alterações climáticas.
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