Ensino

Licenciado, pós-graduado, experiente e sem emprego

Publicado em 24 de Novembro de 2009   
Para combater o desemprego qualificado, o ISCTE tem mestrados livres de propinas para licenciados sem trabalho
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Luís Pedro, 41 anos, licenciado em engenharia zootécnica, master degree em produção animal internacional (Inglaterra), pós-graduação em gestão, cargos de direcção em cinco empresas e desempregado há dois anos. Hugo Braz, 30 anos, marketeer, licenciado em gestão, quadro sénior de uma multinacional durante oito anos e sem emprego desde o Inverno de 2008. Currículo académico e experiência profissional não os impediram de serem dispensados. De que vale então continuar a investir na formação? Nenhum deles sabe a resposta, mas continuam a estudar, como se fosse um vício, que não conseguem largar.

Luís Pedro e Hugo Braz estão entre os 30 alunos que preenchem 5% das vagas nos mestrados executivos que a ISCTE Business School (IBS) abriu este ano lectivo para licenciados desempregados. Ambos satisfazem os requisitos exigidos pelo instituto - têm curso superior, mais de três anos de experiência profissional e procuram emprego há pelo menos seis meses. "A iniciativa tem muito a ver com a nossa responsabilidade social e, num momento de recessão económica, consideramos que podemos contribuir para reduzir o desemprego entre a população qualificada", explica o presidente do IBS, António Gomes Mota.

O objectivo passa por oferecer uma oportunidade aos alunos de frequentar uma pós-graduação sem pagar nada para valorizar a formação e encontrar um novo emprego em tempo de crise. "Mais do que enriquecer o currículo, estes cursos servem para estabelecer uma rede de contactos com os profissionais que estão no activo", explica Hugo Braz, aluno do mestrado em Sales Management. Mas que benefícios poderá retirar dessa experiência, é uma outra questão, avisa o marketeer. Hugo Braz não acredita que o seu regresso ao mercado de trabalho aconteça tão cedo.

Mais de um ano à procura de emprego serviu para concluir que não há lugar para ele: "Quadros médios e superiores estão neste momento bloqueados." O mercado de trabalho encolheu e Hugo Braz encontra-se agora "naquele intervalo de tempo" que o exclui da maioria das ofertas: "Quem tem entre cinco e 12 anos de experiência não consegue emprego porque esses lugares deixaram de existir." Perfil desadequado às vagas a que se candidatou foi o que ouviu ao longo de dezenas de entrevistas. Experiência a mais é afinal uma desvantagem.

O desemprego, no entanto, pode até ser uma nova oportunidade. Tanto Hugo Braz como Luís Pedro estão convencidos de que chegou a hora de satisfazer as suas ambições. O marketeer diz que é o momento de criar o seu próprio negócio e o engenheiro decidiu seguir o seu gosto pessoal e tirar uma pós-graduação em Marketing e Management: "É uma viragem total no meu percurso profissional, que nada tem a ver com o sector primário em que sempre trabalhei."

Por isso mesmo, o mestrado do ISCTE poderá abrir o leque de perspectivas: "O marketing é transversal a qualquer área, logo oferece maiores possibilidades de carreira e permite-me fazer algo de que sempre gostei." E com um bónus acrescido: "Continuar a estudar é uma forma de o meu cérebro não enferrujar."


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