José Guimarães
59 anos - Hospital São Francisco Xavier
enho estado de acordo com as regras da Direcção-Geral de Saúde. Sou favorável à vacinação das crianças, a não ser que já tenham tido uma gripe A confirmada. Tenho recomendado a vacina a todas as crianças entre os seis meses e dois anos e também aos grupos de maior risco. Depois vou aconselhar aos mais velhos. Não me parece que ter gripe A possa ser benéfico para as crianças. Apesar de não ter grande receio desta gripe, estamos interessados em evitar que progrida. Se se disseminar, pode levar à desorganização do país e até atingir mais pessoas dos grupos de risco. As crianças mais pequenas estão em maior risco, não só porque são pequenas mas porque são quem mais dissemina. Não me recordo de tanta consulta, telefonemas e emails trocados com os pais, que muitas vezes ficam surpreendidos quando lhes digo que pode ser gripe A. Não sei se há muitos médicos a não recomendar, mas duvido que haja assim tantos cépticos. Entre nós, há a ideia de que as vacinas são das melhores coisas que se inventaram, até pela repercussão na saúde de toda a sociedade. Creio que os receios em relação às vacinas são infundados.
António Castro Camacho
75 anos - consultório em Mem Martins
A minha opinião é que se deve vacinar. Se não vacinamos, estamos a seleccionar o grupo de crianças que vai ficar doente. A vacina não tem qualquer risco e é muito parecida com a vacina sazonal. Ninguém tem argumentos válidos para recusar a vacina. Recomendo--a a todos as crianças. Quanto às mães grávidas, a imprensa publicita cada feto que morre depois de a mãe ter tomado a vacina, mas não fala dos outros. É uma leitura viciada. As dúvidas que tenho em relação a esta vacina são as mesmas que tenho em relação a outras, ou a outros medicamentos que receito. Nunca temos uma certeza a 100%.
Libério Ribeiro
65 anos - consultório em Lisboa
Em termos de saúde pública, sou da opinião de que se devia ter começado a fazer a vacina pelas crianças. O problema desta gripe é a contagiosidade. Mesmo que sejam situações pouco graves, se houver um pico, teremos uma sobrecarga dos serviços. Em termos de saúde pública, devíamos ter começado por aí. Se tivéssemos essa população protegida, estaríamos a prevenir o contágio de pais e avós. Mas no consultório, quando um vejo um doente, penso no caso individual. Pondero os riscos e benefícios, verifico se tem uma doença de base, se está em casa ou na escola e analiso outros riscos de contágio. Aconselho os pais, explico as vantagens e inconvenientes. Os pais têm de ser co-responsáveis. Os dados científicos disponíveis não são muitos, mas apontam para a eficácia e para riscos idênticos aos da gripe sazonal. Eu pondero caso a caso, pondero com os pais. Se a criança tiver um problema de risco, como asma grave ou qualquer doença pulmonar crónica, não tenho dúvidas. Mas nem tudo é preto ou branco. Felizmente, a gripe A não traz sequelas nem complicações em 99,9% dos casos.
Álvaro Lourenço Birne
59 anos - Consultório em Lisboa
Faço a analogia com as outras formas de gripe, sobretudo abaixo dos dois anos. A vacina é recomendada na medida do possível, pois tem vantagens. Entre os seis meses e os dois anos, recomendo a vacinação. É mais seguro pois podem desenvolver-se doenças graves. Penso que as crianças mais velhas não devem ser vacinadas. Os critérios das autoridades de saúde são mais no sentido de diminuir a pandemia. Depois, também é preciso ir acompanhando o desenvolvimento da situação. Actualmente, com os quadros clínicos da gripe A, não é necessário vacinar, mas isso pode mudar. Há sempre dúvidas sobre uma vacina que tem um componente que é aceite pela OMS mas não é aceite pela FDA. Se não autorizaram, não terá sido de ânimo leve.
Augusto Correia Simões
75 anos - consultório na Amadora
Dentro daquilo que se sabe, até hoje não houve qualquer situação em que a complicação tivesse origem na vacina. Tenho aconselhado a vacina a todos os pais. Todos devem fazer a vacina, sobretudo os mais pequenos, pois são mais vulneráveis. O ideal seria até aos 15 anos, que é a idade até à qual também recomendo a vacina da gripe sazonal. Eu sou um técnico, e tenho de me basear na informação que se conhece. Já não entendo os médicos que não se vacinam, muito menos aqueles que não a recomendam. Vemos que
os 27 [estados-membros da União Europeia] estão a fazer vacinação e, neste mês e meio, não houve qualquer complicação de maior. Em contrapartida, evitaram-se muitas mortes por complicações da gripe. Não vacinar é não aproveitar a hipótese de evitar complicações. Não tenho dúvidas quanto à segurança desta vacina. Todos os anos a vacina é modificada em poucos meses, consoante os vírus em circulação.




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