Presidenciais: Gama ameaça unidade Alegre no PS

Publicado em 23 de Novembro de 2009   
António Costa, António José Seguro e Carlos César apoiam Manuel Alegre para as presidenciais. Jaime Gama espreita
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Por estes três homens passa a sucessão de José Sócrates e os três apoiam Manuel Alegre às presidenciais. António Costa, António José Seguro e Carlos César querem que Alegre seja o candidato do PS para o confronto com Cavaco Silva em 2011. Mas Sócrates - cujo apoio a uma candidatura de Manuel Alegre às presidenciais parecia evidente durante o processo de pacificação interno - vai ter de se confrontar com uma nova frente. A proto-candidatura de Jaime Gama ameaça a unidade à volta de Alegre e tem o apoio dos socialistas que, como José Lello recentemente afirmou ao "Sol", consideram que a actuação de Alegre na passada legislatura contribuiu "para o PS perder a maioria absoluta".

Os sectores antialegristas - onde pontificam os soaristas, que se converteram em grandes inimigos do alegrismo - encontraram outro candidato que, garantem alguns dos seus membros, estará disponível para se bater com Manuel Alegre no combate pela nomeação de candidato do PS a Belém. É Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, que teve o bálsamo de uma votação esmagadora quando foi reeleito para o cargo.

Imediatamente a seguir, Gama abriu o ano parlamentar com uma "chicotada psicológica" que os seus apoiantes consideram já fazer parte de uma estratégia com vista à nomeação presidencial: acabou com os desdobramentos de viagens que permitiam aos deputados levar acompanhantes nas deslocações oficiais, trocando o bilhete de primeira classe a que têm direito por dois bilhetes de segunda classe.

Doutrinas Jaime Gama vai permanecendo em silêncio, enquanto os seus apoiantes no interior do PS admitem, em privado, a sua disponibilidade para ser o candidato presidencial, afastando Alegre, senão da corrida, pelo menos da bênção do partido.

Mas a doutrina divide-se sobre o que realmente move Gama: segundo outros observadores, não se estaria a posicionar para as eleições presidenciais de 2011, mas para as de 2016. A teoria é simples: a recandidatura de Cavaco Silva é um dado praticamente adquirido e em Portugal nunca foi possível desalojar um Presidente da República em funções.

Apesar da maioria de esquerda no país e das más relações entre Cavaco Silva e o governo, que tiveram como epicentro o episódio das escutas e vigilância a Belém no Verão, está por provar que Cavaco possa ser derrotado quando se apresentar a um segundo mandato.

Um sinal de como será difícil remover o inquilino de Belém já foi dado: depois das sondagens desastrosas que o Presidente obteve na sequência da guerra estival, a popularidade de Cavaco Silva já voltou a subir. Bastou-lhe retomar a discrição presidencial e uma ou outra iniciativa mais institucional: aparentemente, o país já lhe perdoou a confusão das escutas.

Manuel Alegre mantém-se em reflexão sobre o que fazer. Na última intervenção pública, afirmou não estar disposto a uma candidatura presidencial em que tivesse de enfrentar a guerrilha interna que sectores próximos de Mário Soares lhe estariam a mover.

Apesar de ter participado em debates sobre cidadania, Alegre reduziu as suas intervenções públicas, mas foi evidente a sua moderação nos comentários ao caso "Face Oculta", que nunca poderiam ser utilizados pelos seus "inimigos" dentro do PS para o acusarem de "oposição interna".

O milhão de votos O desfecho da guerra das presidenciais ainda não é líquido, mas mesmo entre os apoiantes de Jaime Gama - onde se incluem figuras como Vítor Ramalho, Correia de Campos e Sérgio Sousa Pinto - permanece a dúvida sobre a capacidade de Gama vencer Cavaco Silva.

Quanto a Manuel Alegre - que gerou vários anticorpos dentro do próprio PS quando se aliou ao Bloco de Esquerda em duas iniciativas públicas - foi notória a sua capacidade para "juntar a rua" em torno da sua candidatura, mesmo havendo um candidato oficial do PS com o peso de Mário Soares.

O milhão de votos que Alegre um dia disse "não poder levar pela trela" vai ser decisivo quando se tiver de resolver esta equação.


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