PSD
"A líder anda de lanterna à procura de alternativas", acusa Miguel Relvas
Publicado em 23 de Novembro de 2009
Oposição ganha força: distritais querem antecipar eleições e Carreiras acusa a líder de fomentar a instabilidade. Marcelo diz que não avança
Inverteu-se o ditado: depois da bonança, chegou a tempestade. A continuidade de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD volta a ser fortemente contestada. Primeiro Santana Lopes, a exigir "clarificação no poder", depois as distritais de Lisboa, Porto e Faro a pedir a antecipação de eleições. Agora são os apoiantes de Passos Coelho: "O PSD precisa de ganhar credibilidade e ânimo para voltar a ser alternativa. O último Conselho Nacional deu a estabilidade necessária a Ferreira Leite para se manter até Março, mas a verdade é que hoje o PSD está pior do que estava antes dessa reunião", acusa Miguel Relvas.
Em causa, diz, está o facto de a direcção do PSD se apresentar "demasiado fragilizada" e, consequentemente, "deixar passar impunes os erros do PS". Um cenário agravado pela "falta de coordenação entre a direcção do partido e a bancada parlamentar" e pelo "esvaziar" da mobilização nas últimas reuniões da direcção política do partido. "Há uma crescente unidade no desconforto perante esta situação", aponta.
Uma ideia partilhada pelo presidente da distrital de Lisboa do PSD, Carlos Carreiras, para quem "as razões que sustentaram a continuidade" de Ferreira Leite "deixaram de existir". "Foram dadas todas as condições de estabilidade, mas a sensação que passa é de que a unidade em torno da direcção se está a esboroar, numa altura em que o PSD precisa de se afirmar como alternativa, em face da situação que o país vive", diz o dirigente.
Recusando a ideia de tacticismo político nas críticas dos militantes que apoiam Passos Coelho, Miguel Relvas defende que não é esta candidatura que está a apressar a realização de eleições internas. "Quem tem pressa é o país", diz, recordando as palavras dos dirigentes das distritais de Lisboa e do Porto sobre a necessidade de encontrar uma solução imediata para o futuro do PSD.
E também nesse âmbito a direcção do partido é alvo de críticas por parte de Miguel Relvas, que defende existirem "interesses pessoais" colocados "acima dos interesses do PSD e do país". "A líder anda de lanterna na mão à procura de alternativas, mas a escolha de um líder não se decide em conclaves e a discussão de projectos não se faz nas alcatifas dos institutos. A discussão tem de ser feita com o país e com os militantes."
Sem se referir a uma possível vaga de fundo em torno da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, Relvas deixa um reparo. "Não podemos continuar a ser dirigidos pelo passado, nem voltar a líderes que tiveram o seu tempo." No entanto, ontem à noite, no seu programa na RTP, Marcelo reiterou que não avançará. "Não há candidatura minha, porque não há hipótese de unidade", garantiu.
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