Jorge Jesus não falha uma final da Taça de Portugal desde os 13 anos. É de homem. E o homem que já foi visto entre adeptos do Sporting no Jamor (1-0, de Jardel, contra o Leixões de Carlos Carvalhal) vai continuar a lá ir, porque gosta da festa. Já ganhá-la como treinador parece difícil, ainda uma demanda sagrada. Mesmo para Jesus, que é capaz de milagres, como pôr o Benfica a golear em série, mas que também pode morrer com eles – Jesus, que ressuscitou o leproso Lázaro, caiu redondo no chão quando Lazzaretti (refúgios para onde os doentes contagiosos iam de quarentena) subiu ao tecto. Num lance de bola parada, pois, treinado vezes sem conta no Seixal, o Benfica encaixou o golpe de cabeça e saiu de campo com uma derrota. É outro dos milagres-par-time deste Benfica de Jesus: consegue andar e correr sobre águas planas mas falta-lhe braços para rema contra marés. Foi assim com o Marítimo (1-1), AEK (0-1) e BATE Borisov (1-2): entrou a perder nos três casos e chegou ao empate no limite com os madeirenses.
SUV E UTILITÁRIO O Vitória de Guimarães não veio de autocarro mas de SUV. Que é grande e espaçoso, sim, mas igualmente confortável e rápido q.b.: sem ponta-de-lança, apostou em Targino à frente e num meio-campo de muito músculo e um só artista (Nuno Assis) do volante. Fez pela vida e aproveitou para guiar pelas faixas e atacar Moreira, provavelmente no último jogo pelo Benfica – Jesus disse que a rotatividade entre os postes ia acabar a curto prazo e, sem Taça, o camisola n.º1 passa a terceira escolha – no canto que deu o golo a Lazzaretti, ficou a meio do caminho.
A partir de então, o SUV do Vitória passou apenas a utilitário, com viagens calculadas e económicas. E o Benfica carregou no pedal sempre à procura do golo que parecia iminente. Do outro lado, o guarda-redes Nilson, n.º1 indiscutível, foi travando as investidas com defesas em quantidade e qualidade. Foi assim na primeira-parte e assim foi na segunda.
Jesus substituiu Aimar, que não teve as mãozinhas do costume para conduzir a equipa, e entrou Weldon. E o Benfica continuou a acelerar mas sem chegar ao ponto final. Nuno Gomes, Keirrisson, Saviola, Di María, Weldon e Menezes, todos estiveram lá. Mas não esteve Cardozo (castigado). E em dois jogos oficiais (Naval, 1-0, e Vitória de Guimarães) sem o paraguaio, a velocidade de cruzeiro baixou.




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