Saúde

Portugal sem capacidade para detectar mutações do vírus

Publicado em 21 de Novembro de 2009   
Estirpe mais agressiva surge na Noruega e mata dois doentes. Vacina continua a ser eficaz, a não ser que o vírus mude completamente
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O alerta chegou ontem do Instituto de Saúde Pública da Noruega e da Organização Mundial de Saúde - o vírus da gripe A mudou. A mutação aconteceu em três doentes noruegueses, dois morreram e o terceiro encontra-se gravemente doente. Trata-se de uma estirpe mais agressiva, que causa infecções pulmonares com maior gravidade mas, por enquanto, a sua transmissão não deverá ser expressiva, tranquilizam os especialistas portugueses.

As transformações do vírus H1N1 já foram registadas em vários países, mas nunca em Portugal. E a razão é simples. "Nós não temos capacidade tecnológica para fazer essa investigação", explica Filipe Froes, pneumologista do Hospital Pulido Valente. Desde Junho, casos de mutação do vírus pandémico ocorreram na China, Japão, México, Ucrânia, Estados Unidos e Brasil e, segundo os médicos portugueses, verificam-se dentro "daquilo que é expectável", conta Filipe Froes. Isso não significa que as autoridades de cada país possam baixar a guarda: "Para já, a informação que veio da Noruega é muito precoce e com poucos dados, mas é preciso estar atento às novas estirpes", defende o director do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltez, esclarecendo que, até à data, as mutações do vírus não põem em causa a eficácia da vacina: "Não há qualquer indicação que leve a crer que esta mutação tenha implicações na vacina do H1N1 ou no tratamento antiviral."

Geir Stene-Larsen, do Instituto de Saúde Pública (ISP) da Noruega, explicou em comunicado que a mutação do vírus nos três doentes pode significar que o H1N1 ganhou uma maior capacidade de penetração a nível pulmonar, mas isso não significa que o seu contágio seja mais veloz.

Os cientistas analisaram 70 doentes com gripe A para avaliar a velocidade de transmissão da nova estirpe: "Com base naquilo que conhecemos até agora, tudo indica que o vírus mutante não circula entre a população, mas pode ser uma consequência de mudanças espontâneas que ocorreram nestes três pacientes", afirmou o director do ISP da Noruega, adiantando que nas várias análises feitas, as estirpes isoladas são muito semelhantes, embora tenham ocorrido algumas transformações.

O caso na Noruega surge dois dias depois de as autoridades escocesas identificarem dois doentes com mutações do vírus H1N1 resistente ao Tamiflu que contagiaram outros três pacientes. A descoberta foi feita no Hospital Universitário de Gales, em Cardiff, e as autoridades do País de Gales mostram-se apreensivas com este desenvolvimento que, ao que tudo indica, é o primeiro caso documentado na Europa. Até agora, a Organização Mundial de Saúde identificou 45 casos de doentes que resistiram à principal medicação para combater a pandemia, mas nenhum envolveu a transmissão de pessoa para pessoa. Estes casos de Cardiff evoluíram mais rapidamente e contaminaram mais pessoas.

Um dos pacientes desenvolveu uma resistência ao medicamento antiviral e contagiou os outros doentes do hospital. O Serviço Nacional de Saúde do País de Gales informou ontem que dois dos infectados já recuperaram e receberam alta, enquanto os outros dois estão a ser tratados numa unidade especial e o quinto se encontra sujeito a uma "terapia intensiva".


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