Internacional
Quem pode derrotar Van Rompuy - e a luta de bastidores por comissários
por Sónia Cerdeira, Publicado em 21 de Novembro de 2009
Van Rompuy foi escolhido a dedo. A verdadeira luta trava-se agora pelos lugares nas comissões
Herman Van Rompuy venceu a corrida à presidência do Conselho Europeu. Agora tem de ser bem-sucedido, o que para alguns analistas vai depender da relação com figuras-chave no panorama europeu: os líderes de Espanha, França, Alemanha e Inglaterra, Durão Barroso e a Comissão Europeia, além da nova "ministra" dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, Catherine Ashton.
"É evidente que a sua relação com os maiores países e os seus líderes será muito importante: terá de se concentrar em não ser devorado pelos grandes egos", afirma Hugo Brady, investigador do think tank britânico Centre for European Reform.
Teoricamente, Van Rompuy deverá ser a força da União Europeia durante a presidência espanhola, que começa a 1 de Janeiro. Porém, José Luís Zapatero já avisou que terá uma palavra a dizer. Por exemplo, o presidente do governo espanhol disse que a presidência do seu país vai pressionar a União Europeia para aceitar a Turquia como membro. Van Rompuy expressou, no passado, a sua oposição.
Nicolas Sarkozy, visto como um líder crítico, estará atento aos passos de Van Rompuy. E de Londres também se esperam problemas: David Cameron, se for eleito em 2010, será um forte crítico da integração na UE.
"Os primeiros conflitos serão sobre política externa e quem tem competência, liderança e visibilidade. A questão está em quem será o primeiro a actuar perante uma crise internacional", questiona Piotr Kaczynnski especialista em assuntos da União Europeia do Centre for European Policy Studies.
O belga Van Rompuy pôs desde logo de lado o estilo de confronto e adoptou um papel de coordenador da União Europeia ao afirmar: "As minhas visões pessoais são irrelevantes, o meu papel é encontrar consensos." Esta atitude, de resto, interessa às potências europeias, que já se posicionam para obter comissários, nomeadamente os da Regulação Financeira, da Concorrência, da Indústria, da Economia e Assuntos Económicos.
"A França terá um comissário europeu com responsabilidades importantes", avisou Sarkozy, que mostrou interesse por um comissário no Mercado Interno. Do lado da Alemanha espera-se que consiga as pastas da Indústria e da Energia, que têm ganho importância, mas o seu grande objectivo é a presidência do Banco Central Europeu, com a saída de Jean-Claude Trichet, em 2011.
Em 2004, Durão Barroso surpreendeu ao entregar aos países pequenos a maioria das pastas mais apetecidas.
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