Beber
Chá verde com pipocas? Sim, existe
por Catarina Mendonça Ferreira, Publicado em 20 de Novembro de 2009
Acabou o tempo em que o chá era só chá. Hoje, a variedade é a palavra de ordem, entre cores e sabores. Eis cinco casas obrigatórias
1. Empório do Chá
É uma pequena casa e loja de chás no centro de Lisboa que fica entre a Praça de Londres e a Avenida de Paris. Quem entra e se depara com as mais de 100 latas de chá dispostas nas estantes fica com vontade de abrir e cheirar cada uma delas. Do lado de fora podem ler-se os ingredientes que compõem cada uma das misturas: chás pretos aromatizados de caipirinha, chocolate e menta, India Darjeeling, chás verdes aromatizados com hortelã, canela, ginseng e lima, chá Oolong, chá vermelho e branco. É impossível deixar de descobrir o que contém cada lata, a cada sabor mais extravagante como chá verde com pipocas pode seguir-se outro como Rooibos com morango e pimenta. A boa notícia é que pode levar um bocadinho de cada um para casa, mas antes sente-se nas mesas e peça uma chávena ou bule de qualquer variedade. O lanche só fica completo se pedir scones ou uma fatia de bolo caseiro. Nem todas as estantes estão reservadas aos chás. Uma delas tem revistas e livros. O Empório do Chá está na rota do Bookcrossing. Quem quiser pode levar ou deixar livros e dar continuidade à corrente.
Av. de Paris, 19A, Lisboa. Tel: 21 1911941. Aberto todos os dias.
2. Ó-Chá
Abrir um salão de chá foi a forma que três amigas encontraram para homenagear a cultura oriental, em particular Macau, onde viveram durante algum tempo. O conceito para o espaço foi beber influências à tradição, mas o desejo do Ó-Chá é celebrar a modernidade do chá e por isso existem mais de 73 variedades na sua carta, provenientes dos quatro cantos do mundo, do Japão à América do Sul, passando por toda a Ásia, Médio Oriente ou África, sem esquecer os Açores, que fazem de Portugal o único país produtor de chá da Europa. Respeitando todo o ritual de beber chá, aqui ele é servido em bules diferentes consoante a escolha que se fizer: de terracota de Yixing da China, de porcelana craquelée vietnamita, de ferro fundido do Japão, entre outros. Para acompanhar, há toda uma série de bolos caseiros, como tarte de banana, scones ou pão de especiarias. Em Março deste ano, o Ó-Chá abriu outro espaço em Alfama. Enquanto o salão de Alvalade funciona mais durante o dia, o de Alfama vive mais à noite. Adaptou-se ao bairro onde está e introduziu na carta algumas bebidas alcoólicas, assim como algumas tábuas de queijos e fumados para picar.
Rua Luís Augusto Palmeirim,18 (Alvalade, Lisboa). Tel.: 916 745 863. De segunda a sábado, das 12h00 às 20h30. Aberto aos domingos durante o mês de Dezembro, das 14h00 às 20h30.
3. Café Saudade, Vida e Arte do Povo Português
Nenhuma outra palavra é tão portuguesa como "saudade" e, talvez por isso, uma antiga fábrica de queijadas de Sintra transformada em salão de chá não possa ter levado outro nome que não esse. Não bastasse o peso da história deste local situado no centro da vila de Sintra, também a decoração parece transportar-nos para a casa da avó. É possível encontrar a mesma nostalgia nos sabores que aqui podemos provar, todos de origem portuguesa, como o chá gorreana e os bolos caseiros - o de chocolate é delicioso -, os travesseiros e as queijadas. A Saudade não é apenas um salão de chá onde se pode estar a conversar horas a fio, é também uma cafetaria e um sítio para ver artes e ofícios portugueses como a prata e ouvir boa música em concertos de jazz ou fado.
Av. Miguel Bombarda, 6, Sintra (junto à estação de comboios). Tel.: 212 428 804. De segunda a sábado, das 8h00 às 24h00 e domingos, das 9h00 às 19h00.
4. Salão de Chá Luso-Japonês
Quando os portugueses chegaram ao Japão no século XVI, levavam na bagagem a receita do nosso pão-de-ló. Foi tão bem recebida pelos nativos que ficaram com ela e a transformaram numa das sobremesas típicas do Japão. Alguns séculos depois, um casal formado por um pasteleiro português e uma gastrónoma japonesa abriram um salão de chá onde doces tradicionais portugueses partilham travessas com doces e salgados japoneses. Mas o primeiro lugar no pódio da doçaria pertence ao famoso pão-de-ló japonês Castella, que está disponível nas versões simples, chá verde e chocolate. A mesma política de só usar ingredientes naturais nos bolos também se aplica à enorme variedade de chás que aqui se podem beber. Na lista encontram-se chás japoneses e chineses, ice tea japonês, chás com propriedades medicinais, como de camomila e tília e outros aromáticos, como o chá verde com cerejeira ou rosa da china.
Rua da Alfândega, 120, Lisboa. Tel: 218 880 019. De segunda a sexta-feira das 7h30 às 19h30. Sábado do 12h00 às 19h30.
5. Rota do Chá
Se não soubéssemos que estávamos no Porto, a entrada e a decoração desta casa de chá poderiam situá-la algures no Oriente. A Rota do Chá está instalada no edifício onde até há bem pouco tempo funcionou o espaço Artes em Partes. As cores fortes e a temática oriental prolongam-se pelas várias salas (Ganesh, Indiana), pelo jardim marroquino e loja, onde se pode comprar diferentes chás e infusões, acessórios e roupa. Os scones, as quiches e os bolos caseiros são as melhores opções para acompanhar as mais de 300 variedades de chás oriundas da China, do Japão, do Sri Lanka, da África do Sul ou até dos Açores, as infusões de especiarias, as misturas especiais e os chás aiurvédicos. Para quem procura algo mais substancial, também há almoços e jantares buffet.
R. Miguel Bombarda, 457, Porto. Tel: 914 394 027/917 615 547. Aberto todos dias das 12h00 às 20h00, sextas e sábados até às 24.
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