Gripe A

"Nem as vacinas proibidas na gravidez provocam mortes"

Publicado em 19 de Novembro de 2009   
Três casos numa semana lançam a ansiedade nas grávidas. Especialistas repetem que imunização não mata
Opções
a- / a+
A causa de morte de um feto - e acontecem mais de 300 por ano - é impossível de identificar em 50% dos casos, mesmo com autópsias, exames do cordão umbilical, de malformações e de alterações genéricas, devido "à enorme complexidade" da gestação, explica o obstetra Manuel Hermida que estudou durante anos estes óbitos. Mas, na lista de causas para que uma gravidez seja subitamente interrompida, não constam vacinas. O director do serviço de ginecologia/obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, refere mesmo que "não há nenhum caso de morte associada a nenhuma vacina". "São conhecidos casos de mulheres que, não sabendo que estavam grávidas, tomaram vacinas contra-indicadas, como a rubéola e a toxoplasmose, e não tiveram complicações graves", diz. Mesmo assim, o clínico refere que é importante avaliar o que realmente se passou com a grávida internada na CUF Descobertas, em Lisboa, como forma de evitar "angústias que estão a ser criadas nas mulheres" que esperam filhos e que não se justificam tendo em conta o conhecimento médico existente.

Ontem, ainda os especialistas se desdobravam em explicações sobre a inexistência de uma ligação entre a vacina e as mortes dos dois fetos ocorridas nos últimos dias, e já o Hospital de Leiria confirmava um terceiro caso numa grávida de 20 semanas, com 27 anos. A mulher deu entrada ontem no hospital, com o feto já sem batimentos cardíacos, tendo a morte do feto sido confirmada pelos médicos. A vacina tinha sido administrada a 2 de Novembro.

Os resultados da autópsia do feto que morreu na segunda-feira na Cuf Descobertas deverão ser conhecidos em breve. Mas a direcção clínica descartou ontem a ligação de causalidade com a vacina, sublinhando que a grávida não teve qualquer reacção após ter recebido a imunização contra o H1N1.

A mulher está ainda internada na CUF Descobertas e, segundo a unidade, "bem, calma e sem problemas". Antes da autópsia concluída, a directora do serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Conceição Telhado, teve pouco mais para acrescentar ao caso. A médica refere apenas que não havia estrangulamento do cordão umbilical, já que este se encontrava ao longo do corpo, e admite que pode ter sido morte súbita ou qualquer outra causa não detectada durante o parto.

A mulher, que estava de 33 semanas e um dia, deu entrada às 21h00 de segunda-feira, queixando-se de "diminuição dos movimentos fetais". A morte do feto foi confirmada numa ecografia. O parto induzido terminou às 4h00. Era o terceiro filho e não havia doenças associadas mas, explica a responsável da unidade de saúde, "estas situações acontecem".

Os três casos estão a criar ansiedade nas grávidas, admite o presidente do conselho de administração da Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa. Jorge Branco refere no entanto que a recusa da vacinação é que "é um problema de saúde pública".

Como estão com as defesas imunitárias reduzidas devido à gravidez, as mulheres ficam mais sujeitas a complicações decorrentes de uma gripe que podem tornar-se graves, lembra. Na maternidade de Lisboa, a campanha de vacinação está a decorrer - as grávidas com doenças já foram imunizadas. E o médico refere que muitas têm dúvidas sobre se devem tomar a vacina. "É preciso esclarecer as pessoas. Tanto quanto se sabe, não há nenhum tipo de relação entre a vacina e as mortes." Com Marta F. Reis


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close