Clube dos dois bi
O que têm em comum Mexia, Murdoch, Slim, Tata e Ghosn?
Publicado em 19 de Novembro de 2009
Facturam mais de dois mil milhões de dólares. Um dos requisitos para entrar no restrito clube do Wall Street Journal
Estão à frente de empresas que facturam por ano mais de dois mil milhões de dólares, como a News Corp, a Telmex, o grupo Tata, a Renault-Nissan e a EDP, e fazem parte do conselho de CEO (presidentes executivos) do Wall Street Journal. Um clube mais ou menos restrito, que tem apenas 100 membros, que fez a sua reunião anual em Washington na segunda e terça-feira. Da ementa, faziam parte o futuro do capitalismo e a reconstrução da prosperidade global.
Os oradores da sessão de abertura foram Carlos Slim, chairman da Telmex (operadora de telecomunicacoes mexicana que já foi accionista da PT) e um dos homens mais ricos do mundo, Rupert Murdoch, o australiano que construiu um império dos media e é dono da cadeia americana Fox e do Wall Street Journal, e Ratan Tata, chairman de um maiores grupos industriais indianos. Para estes gurus, o principal obstáculo à retoma mundial, no curto prazo, é a falta de empregos. Mas apesar desta preocupação, a maioria dos CEO do clube não tenciona contratar novos trabalhadores - apenas 39% dos inquiridos manifestou essa intenção. Já quanto à maior ameaça à recuperação económica, os líderes empresarais elegeram, com 51% dos votos, a dívida pública e o endividamento das famílias.
Os CEO presentes no evento lideram empresas que facturam dois mil milhões de dólares por ano e dão emprego a mais de cinco milhões de pessoas. Para além da inevitável crise ou a sua superacão, na agenda estiveram também temas caros à administração do presidente dos Estados Unidos. Os oradores de algumas das sessões eram mesmo membros da equipa pessoal de Obama, como o chefe de gabinete Rahm Emanuel, ou a secretária de Estado para a Saúde, Kathleen Sebelius - a reforma do sistema público de saúde é uma das prioridade de política interna de Obama -, bem como os conselheiros para a economia e para a energia e alterações climáticas. Estas personalidades foram entrevistadas por jornalistas do Wall Street Journal, mas depois os CEO presentes também puderam colocar questões. A maioria das sessões decorreu à porta fechada. Dentro de dias será publicada uma cobertura exaustiva dos trabalhos pelo Wall Street Journal, na qual não faltarão um velho conhecido de Portugal, Michael Porter, consultor e professor da Harvard Business School, e John Mcain, o senador republicano que perdeu as eleições presidenciais para Obama.
Mas o que é preciso para pertencer a este clube de CEO? Segundo um membro do staff, um membro tem de liderar uma empresa com receitas anuais de pelo menos dois mil milhões de dólares (mais de 1,3 mil milhões de euros). Mas há muito mais do que uma centena de empresas a preencher este requisito. Só em Portugal, são 14 (ver tabela). António Mexia, CEO da EDP, é, porém, o único português que faz parte do clube. É que é também uma questão de querer. Podem ser convidados pelo WSJ ou podem solicitar um convite para ingressar no clube, explica um membro do staff. Mas o envolvimento em actividades e temas que são caros a administração Obama ajuda, explica o mesmo responsável. Talvez o facto da EDP deter o terceiro maior grupo de energia eólica nos Estados Unidos tenha sido o argumento decisivo para a entrada de Mexia. A lista, onde predominam os americanos, é renovada todos os anos, depois de contados os CEO que desejarem ficar.
A jornalista viajou a convite da EDP
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