União Europeia

"Van Quem?" é o favorito na corrida a presidente do Conselho Europeu

Publicado em 18 de Novembro de 2009   
Eixo franco-alemão quer impor o belga Herman Van Rompuy na presidência do Conselho Europeu. Ingleses perguntam: "Van who?"
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Sabe quem é Herman Achille Van Rompuy? Vamos ouvir falar muito deste nome já a partir da cimeira europeia que começa amanhã em Bruxelas. Rompuy - que se lê "Roampoey" - é o actual primeiro--ministro da Bélgica e lidera o partido cristão-democrata flamengo. Tal como o i tinha avançado na edição de 29 de Outubro passado, o trabalhista Tony Blair é uma carta fora do baralho institucional da União - e Van Rompuy é o candidato indicado como favorito na corrida a presidente do Conselho Europeu.

A escolha do eixo franco-alemão está a irritar os britânicos, sobretudo por se tratar de um federalista e ter defendido recentemente a criação de novos impostos europeus que possam sustentar as crescentes despesas de Bruxelas e o estado social, mas também uma "taxa verde". Nos corredores de Bruxelas, os representantes de Londres chamam "Van who?" - "Van Quem?" - a Herman Van Rompuy.

Segundo o "Times" de ontem, Rompuy falou sobre o assunto numa reunião do Grupo Bilderberg, um clube confidencial criado há 45 anos em Oosterbeek, na Holanda, que reúne políticos, banqueiros e empresários de topo internacionais - e tem como único representante português o presidente do Grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão. José Sócrates, Santana Lopes, Jorge Sampaio, António Guterres, Ferro Rodrigues e Durão Barroso - como primeiro-ministro e depois como presidente da Comissão Europeia - já estiveram presentes em encontros, mas apenas enquanto convidados.

O encontro decorreu na passada quinta-feira à porta fechada, como sempre, desta vez no Castelo do Vale da Duquesa, nos arredores de Bruxelas, onde também tiveram lugar as conversações do Tratado de Roma, que deu início à Comunidade Económica Europeia.

As declarações federalistas de Van Rompuy transpiraram para a imprensa flamenga, transmitidas parcialmente pelo gabinete do primeiro-ministro belga, apesar do secretismo que envolve tudo o que é dito nas conferências do Grupo Bildeberg. Diz o "Times" online, citando jornais flamengos, que o financiamento da União Europeia foi discutido um pouco depois do discurso de Rompuy.

Segundo o jornal flamengo "De Tidj", as declarações de Rompuy podem virar--se contra a sua candidatura - e estarão a ser utilizadas pelos adversários para o atacar. Apesar de fragilizados, mantêm--se os nomes do primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker e holandês Jan Peter Balknende. Tony Blair foi afastado depois de o próprio Partido Socialista Europeu ter preferido ficar com o cargo de alto representante para as Relações Externas, uma espécie de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros com assento na Comissão.

A verdade é que como presidente do Conselho Van Rompuy não terá poderes para criar novos impostos europeus. Tal como o próprio disse no encontro do Grupo Bilderberg, a Europa precisa mais de um "presidente-guia" do que de um "presidente-líder". Durão Barroso agradece o favor e mantém a liderança.


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