Hóquei no gelo

Hat-trick: os norte-americanos gostam de levar o termo à letra - vídeo

por Rui Pedro Silva, Publicado em 17 de Novembro de 2009   
O jogador que marca três golos numa partida de hóquei no gelo tem direito a uma chuva de chapéus. A tradição dura há mais de 60 anos
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Marcar um golo é bom, dois é melhor e três é fantástico. É assim no futebol, na Europa, e é assim no hóquei no gelo, nos Estados Unidos. Apesar de todas as discussões sobre o que é o verdadeiro hat-trick, a ocasião não deixa de gerar euforia entre os adeptos.

As versões são várias. No futebol há quem diga que o puro é aquele em que o jogador marca três golos consecutivos. Outros preferem a versão de que é quando o futebolista marca um golo com o pé direito, outro com o esquerdo e um de cabeça. Nos últimos anos, a expressão hat-trick banalizou-se e refere-se apenas ao jogador que marca três golos num jogo. No hóquei em gelo, também há versões contraditórias, mas o mais interessante não está relacionado com o seu significado, antes com a origem.

Mais uma vez, há duas histórias que competem pela verdadeira origem. A primeira remonta a 1946. Alex Caleta, dos Chicago Blackhawks, quis comprar um chapéu numa loja, mas não tinha dinheiro suficiente. O vendedor Sammy Taft não quis sequer ouvir falar em descontos e fez um acordo com Caleta: "Se marcares três golos hoje aos Toronto Maple Leafs, ofereço-te o chapéu".

Caleta não foi de modas e não só cumpriu a promessa, como ainda marcou um golo de bónus. Taft cumpriu a promessa e ofereceu o chapéu. Alguns anos depois, os Biltmore Madhatters tornaram a moda oficial. O patrocinador da equipa, um conhecido fabricante de chapéus no Ontário, Canadá, garantiu que oferecia um chapéu a todos os jogadores que marcassem três golos durante uma partida. Algum tempo depois, a tradição tinha chegado a todo o lado.

A moda dos chapéus estava no seu auge quando os Panthers da Florida tentaram ser originais em 1996. Tudo porque Scott Mellanby, uma das figuras da equipa, marcou dois golos num jogo depois de ter matado um rato que invadiu o balneário da equipa com o stick. O momento ficou conhecido por rat-trick e deixou espaço para uma inovação. A partir desse dia, os adeptos começaram a arremessar ratos de plástico sempre que um jogador fizesse hat-trick. A ideia era engraçada e os responsáveis pela manutenção entravam no rinque equipados por uma empresa de exterminação, mas a NHL (Liga Profissional de Hóquei no Gelo) acabou por intervir.

Segundo a regra 63.4, o arremesso de qualquer tipo de objectos para o rinque, mesmo que depois de um golo, resultará numa penalização para a equipa da casa por perda de tempo. A única excepção é o arremesso de chapéus.

Hoje, mais de 60 anos depois, os hat-tricks continuam a ser festejados da mesma forma e há um jogador, Wayne Gretzky, que nunca terá razões para se queixar do sol. Ao todo, foram 50 jogos em que marcou três ou mais golos. É caso para dizer que... chapéus teve muitos.


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