Reino Unido prepara-se para indemnizar filhos da Talidomida
Publicado em 16 de Novembro de 2009
Um acordo antes do Natal ou a recordação de como um remédio contra enjoos mudou milhares de vidas
Veronica Pakenham está presa a uma cadeira de rodas porque nasceu com braços e pernas deformados. Na semana passada, um centro de saúde disse-lhe que não é qualificada para ter assistência 24 horas.
Pakenham é uma das filhas da Talidomida, um medicamento contra os enjoos matinais das grávidas, cuja colocação no mercado foi autorizada pelo governo britânico em 1958. Em poucos anos, dezenas de milhares de vidas foram afectadas pelos efeitos secundários desconhecidos do medicamento. Grande parte dos bebés cujas mães tomaram Talidomida nasceram deformados. A maioria não sobreviveu ao primeiro ano de vida; os outros lidam com deficiências mentais e físicas graves, nunca reconhecidas como erro médico - uma realidade que poderá mudar em breve.
No ano passado, o então ministro da Saúde britânico, Alan Johnson, disse não estar "persuadido" da legitimidade da causa. Mas o seu sucessor enfrenta o caso de outra maneira, tendo garantido que já está pronto a negociar um acordo para compensar os 460 filhos da Talidomida que ainda sobrevivem no Reino Unido. Segundo fontes do departamento de Saúde, o ministro Mike O'Brien deverá reunir esta semana com membros do Thalidomide Trust - a ONG que tem apoiado os lesados com o pouco dinheiro fornecido pela Distillers, farmacêutica alemã que distribuiu o medicamento no país.
O "The Sunday Times" avança a notícia, depois de ter trazido a causa de novo à ribalta. Um dos editores na década de 70 lembra que "isto foi exclusiva responsabilidade do governo; não aconteceu nos Estados Unidos porque tinham um sistema regulatório melhor." Os ministros britânicos propõem ajuda vitalícia de 18 mil libras por ano a cada um dos lesados.
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