O cepticismo das pessoas sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete e as indefinições em relação à revisão dos Planos Director Municipal tem resultado na inexistência de impactos no sector do imobiliário.
O novo governo reafirmou a aposta nos grandes investimentos, como o Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, mas em Alcochete, Montijo e Benavente, os concelhos mais próximos, o sector do imobiliário não sente impactos da decisão.
Segundo as imobiliárias dos três concelhos, contactadas pela Lusa, desde o anúncio oficial que o Novo Aeroporto seria no Campo de Tiro de Alcochete, e mesmo com o novo governo a reafirmar as suas intenções, a procura não aumentou.
Os responsáveis contactados consideram também que é essencial a conclusão dos processos de revisão dos Planos Director Municipal (PDM), de modo a que se perceba quais as áreas que serão urbanas e para onde se poderá crescer, lembrando também as medidas restritivas que estão em vigor.
“A procura está como antes do anúncio, não aumentou. Penso que só quando começarem os trabalhos é que pode ter mais impacto, ainda existem muitas dúvidas das pessoas”, disse à Lusa Maria José, responsável pela Imobiliária Carmo.
Isabel Silva, da imobiliária Habicast, partilha a mesma opinião, explicando que as pessoas ainda têm bem presente o que se passou na Ota.
“Noto um ligeiro aumento da procura desde as eleições, mas as pessoas estão na expectativa pois ainda se lembram bem do processo da Ota (onde ao fim de 10 anos mudou a localização)”, explicou.
Carlos Borges, da imobiliária CJSB, refere que as coisas estão “paradas” apesar de referir que existem alguns “movimentações e contactos exploratórios”.
“Não se nota diferenças, está tudo à espera para ver o que vai dar”, disse à Lusa.
Quanto a Paula Gonçalves, que opera em Alcochete e Montijo, refere que no primeiro mês, após a decisão do Governo, notou algum aumento na procura, mas que desde essa altura não teve qualquer impacto no sector, defendendo que as pessoas se mantêm na expectativa.
A conclusão da revisão dos Planos Directores Municipais é vista por todos como um aspecto também essencial, pois é necessário que fique definido quais serão as áreas urbanas, áreas onde no futuro poderão nascer novas urbanizações.
“Todos os PDM têm que ser mexidos, mas o caso pior é, na minha opinião, em Alcochete, pois não existe espaço para crescerem novas urbanizações. Não há terrenos”, disse Maria José.
“Sem a revisão dos PDM mantém-se esta estagnação, essencialmente em Alcochete”, acrescentou Isabel Silva.
Carlos Borges, que actua essencialmente em Benavente, afirmou que a revisão do PDM em Benavente poderá estar concluída em breve, o que vai permitir “perceber o que vai acontecer e para onde se pode crescer”.
Outra das curiosidades é a variação dos preços das habitações nos três concelhos. O preço de um T2 ou T3 em Alcochete é cerca de 15 a 20 mil euros mais caro que no Montijo, estando a explicação na maior oferta existente no Montijo.
Quanto a Benavente apresenta valores mais baixos que os dois concelhos da Margem Sul, situação explicada pelo menor desenvolvimento e maior distância em relação a Lisboa.
Apesar da actual situação não ser animadora, os responsáveis acreditam que nos próximos anos o sector vai sofrer impactos com os projectos previstos, em especial o Novo Aeroporto, à semelhança do que aconteceu com a construção da Ponte Vasco da Gama.




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