Terrorismo

Terroristas do 11 de Setembro regressam aos Estados Unidos

por Rosa Ramos, Publicado em 14 de Novembro de 2009   
Khalid Sheik Mohammed e outros quatros terroristas vão ser julgados em Nova Iorque. Podem ser condenados à morte
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É um sinal de que, em breve, as portas de Guantânamo vão fechar-se para sempre. O homem que é tido como o mentor dos ataques do 11 de Setembro, Khalid Sheik Mohammed, assim como outros quatro suspeitos de terrorismo detidos na base naval em Cuba, vão ser julgados num tribunal criminal federal em Nova Iorque. A medida foi avançada ontem pelo Procurador-Geral dos Estados Unidos, Eric Holder, e pode ser interpretada como o primeiro passo para o encerramento da controversa prisão.

Eric Holder revelou também que os procuradores poderão pedir a pena de morte para os cinco acusados dos atentados do 11 de Setembro, que vitimaram 2 973 pessoas. A par do alegado cabecilha do atentado terrorista, serão transferidos para uma prisão de segurança máxima em Nova Iorque outros quatro presos de Guantânamo: Waleed bin Attash, Ramzi Binalshibh, Mustafa Ahmad al-Hawsawi e Ali Abd al-Aziz.

Para que a transferência seja efectivada, o Congresso terá de ser primeiro notificado e as autoridades locais e estatais consultadas. Só 45 dias depois poderá ser feita a transferência.

O presidente norte-americano, Barack Obama, em viagem pela Ásia, não quis avançar pormenores sobre o processo, mas garantiu aos jornalistas, no Japão, que se trata de uma questão legal de segurança nacional. "Estou absolutamente convencido de que Khalid Mohammed será submetido aos processos mais exigentes da Justiça", afirmou, em declarações citadas pela Reuters.

A decisão de levar suspeitos tão mediáticos para solo americano constitui um passo significativo para o encerramento da prisão em Cuba. Só que o julgamento do grupo de terroristas pode obrigar o sistema judicial dos Estados Unidos a enfrentar uma série de questões legais relacionadas com denúncias de torturas físicas e psicológicas feitas ao abrigo dos programas de combate ao terrorismo durante a administração Bush. Mohammed terá sofrido severos métodos de tortura, como a simulação de afogamento, antes de a prática ser banida.

Apesar das complicações legais, Obama quer agora mostrar ser possível julgar e até manter um ex-preso de Guantanamo em território americano sem que isso possa constituir uma ameaça à segurança nacional. Assim, parte dos prisioneiros podem ser julgados em tribunais americanos e, em caso de condenação, cumprir as penas em cadeias de alta segurança do país.

Porém, espera-se que a chegada do grupo de criminosos do 11 de Setembro a Nova Iorque provoque reacções adversas, por se tratar da cidade onde os atentados tiveram lugar.

Mohammed admitiu ser o mentor do 11 de Setembro. Confessou ter proposto o ataque a Bin Laden em 1996. Recebeu dinheiro, chefiou os planos e treinou no Paquistão e no Afeganistão os sequestradores dos aviões utilizados para perpetrar o ataque às torres gémeas.


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