O ex-ministro e actual presidente executivo do Banco Bic disse hoje, no Porto, “que o actual modelo económico português é insustentável”, tendo caracterizado Portugal como “um país submergente” por ser cada vez mais pobre.
Mira Amaral falava à entrada para um debate subordinado ao tema “ O insustentável desenvolvimento da crise”, no Palácio da Bolsa, tendo afirmado que “o modelo já era insustentável antes desta crise, que veio quanto muito agravar a crise estrutural em que já vivia Portugal”, defendeu.
“Não aceito que se diga que os nosso males são todos devidos à crise financeira”, insistiu o gestor.
O ex-ministro distingue “três tipos de países”: os países desenvolvidos, “os países emergentes”, como a Índia, a China e o Brasil, que estão em vias de ser “potências mundiais”, e os países como o nosso, que “é um país claramente submergente”.
O que Mira Amaral diz querer dizer com estes conceito é que “o nosso país está-se a afundar, o que significa, em termos económicos, que nós, em cada ano que passa, vamos ser mais pobres”, o que “é inevitável mantendo este modelo económico”.
Quando às medidas que devem ser tomadas para contrariar essa alegada tendência, o ex-ministro sustenta que “o Estado não pode fazer tudo” e considerou até que “a crise financeira veio agravar a ideia de que o Estado é paizinho de todos nós”, disse.
“É a sociedade portuguesa que tem de resolver os problemas”, contrapôs, tendo depois, já no debate, defendido a ideia de que “o mercado não é perfeito, mas mesmo com esta crise, ninguém quer voltar para o socialismo real”, como o da antiga União Soviética.
Num breve olhar sobre os pontos fracos o modelo económico português, Mira Amaral realçou que Portugal defronta-se com “um problema muito grave" de produtividade e de competitividade.
“Na última campanha eleitoral só ouvi os partidos políticos pedirem mais ajudas do Estado, mais subsídios do Estado e é preciso perceber que o Estado não tem mais dinheiro para nos dar”, criticou.
Para Mira Amaral, aliás, “o Estado está numa posição insustentável. Estamos já com uma ameaça de ruptura das finanças públicas, o que significa que o Estado, a prazo, pode não conseguir fazer todos os pagamentos e satisfazer todos os seus compromissos”.
O problema resolve-se, prosseguiu, aumentando tanto a produtividade como a competitividade, para “ exportar e vender bens e serviços”.
A par disso, “temos que ter um sistema educativo que funcione, com avaliação dos professores como deve ser”, sublinha.
“Choca-me profundamente que os partidos da oposição digam: acabe-se com a avaliação”, declarou, acrescentando que “também a reforma da administração pública tem de ser continuada e concluída”.
Por outro lado, “as empresas de grande competência tecnológica e capacidade até poderão fazer aumentos de salários”, admitiu, acrescentando que “o drama que temos é ter um conjunto de empresas dos sectores exportadores, como aqui no Norte do país, que ainda tem um modelo de competitividade pelo preço baixo, baseado nos salários baixos, que é um modelo de que não gostamos”.
Porém, advertiu, “temos de ser realistas”. Já que, diz, “em muitas empresas desta região, é preciso ter consciência que se não houver moderação salarial vai significar aumento do desemprego imediatamente”, concluiu.




Rating: 0.0
Actividade em ionline