Consumo

Se gasta muita electricidade chame os Caça-Watts

Publicado em 11 de Novembro de 2009   
Vão a sua casa e dão-lhe dicas para poupar no consumo de energia
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Não andam atrás de fantasmas nem usam aqueles equipamentos que parecem saídos de um filme de ficção científica. Mas chegam ao local vestidos a rigor, de computador portátil debaixo do braço, um medidor de temperatura de cor na mão e muitas perguntas para fazer. As Brigadas Caça-Watts fazem habi- tualmente testes nos domicílios, embora hoje seja dia de auditar um café para os lados de Telheiras, em Lisboa. É certo que não há milagres - muito menos no que toca às facturas de electricidade -, mas com algum cuidado é possível poupar uns euros. Basta adoptar um comportamento mais amigo do ambiente. Ele agradece e a sua conta bancária também.

"Já reparei que temos uma pequena fuga numa das janelas", avisa Rita Carneiro, 20 anos, que desde Julho trabalha nas Brigadas Caça-Watts. É nos envidraçados que recaem os primeiros olhares. Mal isolados, explica a técnica, "são responsáveis pela utilização de um dos equipamentos mais nocivos para o ambiente e para a carteira: o ar condicionado".

Lâmpadas e frigoríficos

O projecto dos Caça-Watts foi lançado pela Câmara Municipal de Cascais em Abril do ano passado com o objectivo de reduzir 10% a factura de electricidade dos domicílios. "Depende muito dos hábitos de consumo das pessoas e do tipo de utilização que dão aos equipamentos", explica Ricardo Gonçalves, outro membro das Brigadas. No ano passado, por exemplo, o balanço das auditorias permitiu concluir que o consumo energético dos lares pode ser reduzido até 60 euros - o que em termos de gases emitidos para a atmosfera representa uma diminuição de 250 quilos por ano.

Voltemos à nossa visita pelo pequeno café, que recebe hoje os técnicos graças a uma das iniciativas ecológicas da marca de gelados Ben & Jerry's. Nada é deixado ao acaso - e nada escapa ao medidor que Rita Carneiro tem na mão. "Aqui, o facto de não ter vidros duplos é atenuado pelas cortinas corta-luz, que reduzem a concentração de calor cá dentro." A explicação facilmente se transpõe para um espaço caseiro: "O ideal é ter vidros duplos, o isolamento térmico é melhor." A teoria é válida também para paredes e caixilharias dos estores. Estes equipamentos são a principal fonte de desperdício energético.

Seguem-se as lâmpadas e os frigoríficos. Neste estabelecimento de Telheiras há apenas as luzes de poupança energética (fluorescentes). "É a melhor solução para estes casos em que a iluminação tem de ser constante", explica o técnico.

Passamos à zona da cozinha, onde são examinados fornos e câmaras frigoríficas. "É importante que todas as borrachas estejam em bom estado, para evitar fugas", observa Rita. Pelo caminho, as perguntas da praxe: o tempo de vida dos equipamentos, tipo de utilização, manutenção, o historial completo. Reunidas as informações, a equipa faz um relatório com diagnóstico final e recomendações de boas práticas. Neste caso, adianta a técnica, "seria preciso substituir apenas um dos equipamentos". Afinal, 600 euros de luz para um café deixa pouca margem para poupança. "Já vi domicílios com facturas mais elevadas."



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