- Vão em frente e virem na segunda à direita, em direcção à Mathew Street. Aí, vão encontrar a Beatles Shop e o Cavern Club, que foi onde eles primeiro tocaram. Mas olhem que eu sou dos Rolling Stones (gargalhada). - diz um.
- Eu também, mas sou um tipo eclético. Oiço tudo! – diz o outro.
Em Liverpool, os polícias têm sentido de humor. E muito mais. Liverpool tem os Beatles, o Liverpool e o Everton. E o Tranmere Rovers, o terceiro clube de quem ninguém se lembra. Excepto Stu, que é um dos dois empregados na Beatles Shop. E esta noite tem o coração dividido. Não por ele mas pela sua ex, que é do Everton - aparentemente, tudo acabou bem entre eles apesar de Stu não parecer o mais saudável dos ingleses. Já Jamie, o energético que já visitou Albufeira umas quantas vezes, não tem dúvidas: “Quero é que o Benfica os arrase! Não lhes deram 5 em Lisboa? Fantástico!”
Jamie está na casa dos 30 mas parece que está nos anos 60. Usa o cabelo cortado como John Lennon no álbum Help e é apenas mais um dos artigos vintage da loja. E sabe muito sobre futebol. Sabe, inclusivamente, que o Benfica marca muitos golos mas que não é primeiro porque a liderança é do Braga.
E apesar de Jesus dizer que o Everton é a equipa mais forte que os encarnados já defrontaram, Jamie, do Liverpool, não tem duvidas. “Ah, vão esmagá-los.” E diz isto de uma forma desapaixonada, despretensiosa e “imparcial”. Cheio de sarcasmo, pois, que é a arma preferida dos britânicos. Para ele, Kenny Dalglish, do Liverpool claro, é o melhor jogador da história e Fernando Torres é o melhor jogador de agora. As análises são sempre “imparciais”. Menos “imparcial” é a opinião sobre Eusébio. “A minha mãe viu-o jogar cá no Mundial de 1966 em Goodison Park (Portugal deu 3-1 ao Brasil e 5-3 à Coreia do Norte no estádio do Everton). E diz-me que é o melhor de sempre. Eu acho que é o Pelé, mas enfim. Ele era realmente brilhante. A minha mãe, Pat, adora-o.”
Jamie não viu o Pantera Negra mas John, que é negro, viu. John não parece mas tem 67 anos. Conhece o Algarve mas quer é visitar Sintra, a conselho de um amigo, um médico português. Ele é o porteiro do Hotel Hard Day’s Night, conhecido como o Hotel dos Beatles – aqui, mesmo que se tente, não há como fugir aos Fab Four. Abre a porta e certifica os seus palpites. “São portugueses não é? Digo-vos já dois ou três nomes: Eusébio, Coluna e Torres”
Já na recepção do Hard Day’s Night, junta outros nomes: “Aquele pequeno, como era o nome dele? Exacto, o Simões e o Augusto.” No Mundial de 1966, era um jovem e assistiu aos jogos de Portugal no Goodison Park. Ficou fã e seguiu a carreira da selecção mas já antes seguia a do do Benfica das Taças dos Campeões e das vitórias históricas. Como o 5-3 ao Real Madrid: “Deram um recital de futebol aos espanhóis.”
Agora, fala de Di María e do interesse do Manchester United no esquerdino. E admira-se com as presenças de Saviola e Aimar na equipa da Luz. Por isso, lamenta John, o seu Everton não terá grandes hipóteses esta noite. “Estamos muito fraquinhos, muito fraquinhos.”




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