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Decidido. José Penedos vai deixar presidência da REN

por Sílvia de Oliveira, Publicado em 05 de Novembro de 2009   
A demissão de José Penedos está iminente. Antes de segunda-feira, o presidente da REN suspende funções
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A operação Face Oculta provocou mais uma baixa, desta vez na REN - Redes Energéticas Nacionais. Depois da saída de Armando Vara da vice-presidência do BCP, é a vez de outro socialista, José Penedos, suspender as suas funções como presidente da empresa. Segundo fontes contactadas pelo i, a decisão já está tomada, devendo ser comunicada nos próximos dias, "até à próxima segunda-feira".

José Penedos, tal como Armando Vara, foi constituído arguido no processo Face Oculta e as fortes suspeitas que recaem sobre ambos, de envolvimento numa rede de corrupção e tráfico de influências, resultaram em fortes pressões para sair da REN. "Depois da saída de Vara do BCP, a posição de José Penedos na REN ficou ainda mais fragilizada", frisa uma fonte. Agora, é apenas uma questão de dias, existindo já um consenso entre os grandes accionistas da empresa - o principal é o Estado - e o próprio José Penedos sobre a inevitabilidade desta solução. Apesar de não existir qualquer acusação ou condenação - José Penedos beneficia como qualquer cidadão da presunção de inocência - os danos da processo Face Oculta são incontroláveis.

Agora, decide-se qual o melhor momento para anunciar ao mercado - a REN é cotada em bolsa - a saída de José Penedos. O seu mandato, o terceiro, termina em Dezembro, pelo que a possibilidade mais forte é a de suspensão do mandato. "Falta apenas um mês para o fim de mandato, pelo que a presidência pode ser assumida, de forma interina, por outro administrador. Depois, os accionistas terão oportunidade de eleger novos corpos sociais para a empresa na assembleia geral de aprovação de contas, que se realizará no início do próximo ano", explicou uma fonte contactada pelo i.

O i tentou falar com José Penedos, mas o presidente da REN manteve-se incontactável ao longo dos últimos dias. Mas a sua saída concretizar-se-á antes de ser ouvido pelo DIAP de Aveiro, no âmbito das investigações da Face Oculta. Ao que tudo indica, o gestor prestará declarações no próximo dia 17, um dia antes de Armando Vara.

A REN tem como principais accionistas o Estado, com cerca de 46%, a Logoplaste com 8,4% e a EDP e a CGD com 5% cada (ver quadro). Do lado dos accionistas, as reacções variam entre o "não comento" e o "estamos atentos". "Estamos a acompanhar a situação. Este é um caso sob segredo de justiça, que não gostaria de comentar", disse à Lusa Carlos Costa Pina, secretário de Estado do Tesouro e Finanças. Estas palavras surgem poucas horas depois do ministro da Economia, Vieira da Silva, ter alinhado pelo mesmo discurso e ter garantido, em entrevista à SIC que está "muito atento" à situação. Ao contrário de José Sócrates que se tem recusado a comentar o caso alegando tratar-se de um processo judicial, o ministro Vieira da Silva aceitou comentar, mas foi visível o incómodo com que abordou a questão.

Quando o nome de Penedos foi associado ao caso Face Oculta, na semana passada, o gestor garantiu estar tranquilo e disse não ter razões para se demitir. Já nesta segunda-feira, o presidente da REN foi notificado de que era arguido e no mesmo dia a empresa fez um comunicado em que anunciava uma auditoria externa e independente aos procedimentos internos da empresa e a todos os actos praticados no contexto das relações contratuais entre a REN e a O2, empresa de Manuel Godinho que está sob investigação. Na altura, a REN dizia não ter até agora identificado quaisquer factos que revelassem a violação pela empresa ou seus dirigentes de procedimentos internos ou normais legais aplicáveis, "aguardando-se serenamente a conclusão das investigações judiciais em curso".

O caso "Face Oculta" caiu que nem uma bomba no PS e os socialistas evitam de todas as maneiras comentar publicamente um caso que já é politicamente explosivo - atingiu o ex-número dois do BCP, Armando Vara, que, apesar de neste momento já não ter quaisquer cargos no PS, é um amigo muito próximo, pessoal e político, de José Sócrates.

A constituição de arguido do socialista José Penedos - que é ainda presidente de uma empresa de capitais maioritariamente públicos - é outra fonte de mal-estar, com a agravante de estar sob suspeita pela sua actividade enquanto gestor público. Como a investigação vai continuar - foram extraídas mais certidões, como o "Correio da Manhã" noticiou - entre os dirigentes do PS é visível o mal-estar sobre quais serão as cenas dos próximos capítulos.

Quando os socialistas já suspiravam de alívio por ver o caso Freeport fora das manchetes quotidianas, a investigação da Face Oculta, que só foi do conhecimento público no momento da constituição de arguidos, vem repor a intranquilidade. No meio disto tudo, há um consolo: o principal partido da oposição, o PSD, mantém-se alheado da matéria.

Com Ana Suspiro, Ana Rita Guerra e Filipe Paiva Cardoso


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