Várias distritais vão a votos antes da eleição do líder e a tendência aponta para a "renovação"
A vaga de apoio a Marcelo Rebelo de Sousa começou com figuras notáveis do partido mas acabou em salpicos: as bases não se arregimentaram a favor e o próprio professor já afirmou não ter vontade de ser um candidato de "facção", ou seja, que não reúna o apoio das bases. Nas várias distritais ouvidas pelo
i há uma tendência: renovação.
Se é verdade que há uma indefinição sobre o próximo líder nacional do PSD, com as eleições adiadas para depois da discussão do Orçamento de Estado, ou seja, para depois de Março, também o é a nível das distritais, com várias a ir a votos pela presidência antes da eleição a nível nacional. Muitos presidentes distritais não querem lançar para já apoios, receando que o seu score eleitoral fique prejudicado. O apoio a qualquer um dos candidatos pode marcar uma tendência no distrito - seja Pedro Passos Coelho, o único que até agora se lançou na corrida, Paulo Rangel, Marcelo Rebelo de Sousa ou Nuno Morais Sarmento, nomes fortes que surgem nos bastidores. Apesar de as eleições serem directas, há um arregimentar de votos, próprio da lógica interna dos partidos. Lisboa, Porto e Braga têm eleições próximas e, juntamente com Aveiro, englobam 40% dos militantes do PSD.
O Porto tem cerca de 35 mil militantes e vai a eleições dia 14 de Novembro. O único candidato até agora é Marco António Costa que nas últimas eleições apoiou Passos Coelho, que acabou por ganhar no Porto. Carlos Carreiras é o actual líder da distrital de Lisboa, que reúne cerca de 22 mil militantes, e foi um grande crítico de Manuela Ferreira Leite na constituição das listas de deputados. Apesar de não querer discutir nomes, Carreiras afirma que é necessária "renovação", por muitos associada a Passos Coelho.
Já em Braga, com cerca de 15 mil militantes, as eleições ocorrerão no primeiro trimestre de 2010. Passos Coelho teve mais votos que Ferreira Leite nas últimas eleições mas na altura foi Pedro Santana Lopes a ganhar ali. "Neste momento não há sentido de voto estabilizado. Mas o candidato do PSD tem de ganhar direito ao lugar", afirma Virgílio Costa, presidente da distrital.
Das quatro grandes distritais social-democratas só Aveiro não irá a eleições - o mandato termina em Outubro do próximo ano. António Topa, o presidente, apoiou Ferreira Leite nas últimas eleições, que ganhou com uma considerável margem. "Vejo com bons olhos uma certa renovação, novas pessoas", diz António Topa. Passos Coelho? "É efectivamente uma cara nova, não tem estado ligado à liderança do partido, é um candidato anunciado que preenche os requisitos da renovação."
Mendes Bota, presidente da distrital de Faro - com cerca de 5500 militantes -, diz-se "desgostoso com o rumo" do PSD. "É irónico colocar nas mãos de José Sócrates e estar dependentes de quando se discute o Orçamento." Para Mendes Bota é necessária uma "renovação da imagem": "A prática de os notáveis empurrarem candidatos só deu mau resultado." Apesar de não querer alinhar em apoios, Bota afirma que Passos Coelho "é uma hipótese séria de renovação. Fui contra o saneamento público a que foi sujeito dentro do paritdo. É uma pessoa válida mas acho que a renovação não é um corte geracional." No Algarve as posições podem estar divididas já que Macário Correia, que recentemente reforçou o seu peso político com a conquista da Câmara de Faro, apoia Marcelo Rebelo de Sousa.
Depois das autárquicas, Leiria é um distrito em ebulição. Quando a distrital se colocou ao lado de Isabel Damasceno, uma escolha da direcção para concorrer à Câmara de Leiria, muitos militantes opuseram-se: há uma ala ferreirista e outra contra que lutam pelo poder. As quatro maiores concelhias (Caldas da Rainha, Óbidos, Leiria e Bombarral) são apoiantes de Passos Coelho.
Também os presidentes das distritais de Setúbal e Bragança foram dos mais críticos em relação às listas de deputados. Bragança terá eleições até ao final do ano e reúne cerca de 3500 militantes. "Qualquer candidato que esteve na origem da derrota eleitoral de 27 de Setembro não conta com o meu apoio", diz Adão Silva, presidente da distrital de Bragança, demarcando-se da ala ferreirista. Já Bruno Vitorino, presidente da distrital de Setúbal, com cerca de cinco mil militantes, quer "renovação": "O PSD precisa claramente de renovação, de mudar de mentalidades e políticos. Passos Coelho é um bom ponto de partida."
Só os militantes com quotas pagas até dez dias antes do acto eleitoral podem votar e até lá contam-se espingardas. O "nim" de Rebelo de Sousa parece afastar as bases e Passos Coelho vai ganhando forças e apoios.
Várias distritais vão a votos antes da eleição do líder e a tendência aponta para a "renovação"
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