A humanização do ícone
por Carlos Santos, Publicado em 04 de Novembro de 2009
Volvido um ano, impõe-se um balanço do desempenho de Obama. Em particular nos desafios maiores que enfrentava: o geopolítico e o económico. No plano internacional, a abertura ao mundo islâmico e o diálogo com Moscovo ao nível do desarmamento nuclear conduziram a uma nova percepção da América. O abandono da guerra preventiva simbolizou o retomar do multilateralismo, desanuviando o maior foco de tensão atlântica. Em todo o caso, o desafio dos talibãs no Af-Pak continua em aberto. Mesmo com o reatamento diplomático com Damasco, essencial na questão palestiniana e na pressão sobre Teerão, o desafio nuclear de Ahmedinejad permanece. No domínio económico, os dados mais recentes confirmam uma dinâmica de recuperação. Nem toda é imputável ao pacote de estímulos aprovado em Fevereiro, porque muitas dessas verbas não produziram efeitos reais. Contudo, o pacote terá sido fundamental para a criação de expectativas de procura, dinamizando a actividade empresarial. Resta saber que cisnes negros podem ainda emergir de Wall Street. E se terá Nouriel Roubini razão ao especular sobre uma nova bolha bolsista. Hoje o maior desafio de Obama, pelo qual responderá nas eleições para 1/3 do Congresso, em Novembro de 2010, tem desfecho incerto. O crescimento económico tarda em traduzir-se na criação de emprego. As estimativas sugerem uma retoma do mercado de trabalho no 1.o semestre. Irá a tempo de evitar a derrota eleitoral dos democratas?
Professor universitário
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