Valença

Gripe A. Primeira onda epidémica sem choque

Publicado em 03 de Novembro de 2009   
Director-geral da Saúde garante que para já não há alterações na vacinação
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Há 400 alunos com suspeitas de gripe A em Valença, mas as escolas não vão fechar. O maior surto registado até ao momento pode ser considerado a "primeira onda epidémica do país a nível local", disse ontem o director da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Constantino Sakellarides. O director-geral da Saúde contrapõe: "Não é uma onda pandémica, mas uma curva com uma expressão diferente", disse ao i.

Durante a tarde, Francisco George sublinhou que "vão ser imunizados os que mais precisam". A declaração não significa, no entanto, alterações de planos, garantiu ao i. "As crianças ainda não foram vacinadas, mas as que fazem parte de grupos de risco estão mais perto de o ser", diz Francisco George. "Terminámos a primeira fase de vacinação." Para já, o plano nacional não sofreu qualquer revisão, mas estas questões são "flexíveis. Se as vacinas começarem a chegar mais depressa e se a unidose for aprovada pela Agência Europeia do Medicamento, o processo poderá tornar-se mais rápido". E chegar a mais pessoas? "Logo veremos", responde Francisco George.

Encerrar escolas A decisão de encerrar as escolas cabe ao delegado de saúde local e para já não vai ser tomada. "Último recurso" é a expressão utilizada pelo Ministério da Saúde. "Tem de haver uma avaliação do risco entre manter estas escolas abertas e as consequências sociais. Há muitas crianças que recebem apoio na escola e estaríamos a criar novos problemas", justifica o gabinete da ministra.

Até aqui, registavam-se apenas casos esporádicos, apesar de, na semana passada, 149 turmas terem sido afectadas ou suspensas devido à gripe A. "Até ao momento não há outro cluster desta dimensão", garantiu ao i o Ministério da Saúde. A análise faz-se através das Administrações Regionais de Saúde, onde neste momento se contam vacinados, atendimentos e os chamados clusters.

Lúcio Meneses de Almeida, da Administração Regional de Saúde do Centro, fala em 32 focos na região, com maior intensidade em Leiria e Pombal. "A evolução tem sido muito favorável, embora se estime uma taxa de ataque cinco vezes superior", diz ao i o médico especialista em saúde pública. Nos serviços e análises, fala-se de entupimento. "Há uma maior afluência e tem havido um maior pedido de análises", confirma o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), depois de queixas de que os resultados das análises ao vírus da gripe A estariam a demorar mais de 48 horas. Segundo o INSA, os casos prioritários de despistagem - de doentes com síndrome gripal ou doença respiratória grave que pertençam a grupos de risco - estão a receber os resultados em 24 horas.

"Casos excepcionais", reencaminhados por médicos apesar de não serem obrigatórios, podem demorar até 48 horas. No privado, cinco a seis laboratórios oferecem já o teste ao H1N1. As análises variam entre 50 e 100 euros e demoram seis a oito horas.

Germano de Sousa, presidente da Associação Nacional de Laboratórios, explica que as análises exigem equipamento de 150 mil euros. No Centro de Medicina Laboratorial, dirigido pelo patologista clínico, fazem-se 100 testes por dia, reencaminhados por serviços privados. "A afluência aumentou desde a morte da primeira criança, na semana passada", diz. Para já só são feitas as análises pedidas pelos médicos. "95% das análises de ambulatório são feitas em privados, não compreendo a surpresa", diz Germano de Sousa. "Estamos perante mais um vírus, que no próximo ano já fará parte da vacina sazonal." Baixar o preço destas análises não é, para já, uma possibilidade. "O processo de análise do vírus é manual e exige técnicos qualificados", justifica o responsável.


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