Nasceu a primeira Bolsa Social da Europa

Publicado em 03 de Novembro de 2009   
Empresas e cidadãos vão poder investir em organizações de solidariedade e gerar lucro social
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Depois do Brasil, Portugal é o segundo destino da Bolsa de Valores Sociais. A ideia foi criada por Celso Grecco e permite comprar acções de organizações de cariz social, acompanhando depois a aplicação desse investimento.

A iniciativa foi apresentada ontem no Museu da Electricidade e conta com os apoios da Euronext Lisbon, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação EDP. O objectivo é facilitar o financiamento das instituições de solidariedade, ao mesmo tempo que se promove a profissionalização da gestão e a transparência. "Esta é uma plataforma de convergência entre quem dá e quem recebe", afirmou Isabel Mota, administradora da Gulbenkian. "Em Portugal há vontade para ajudar, mas precisamos de novas soluções." A bolsa procurará instituições e projectos que ataquem as causas dos problemas sociais e não os efeitos, recusando associações que recorram ao assistencialismo.

A partir da meia-noite de hoje, no site www.bvs.org.pt, já pode escolher investir um mínimo de dez euros em quatro organizações na área da luta contra a pobreza e exclusão social. Os projectos são muito diferentes: desde a luta contra a toxicodependência até ao apoio à Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21. O total do valor investido chegará sempre ao projecto escolhido. Com o lema "As boas acções estão sempre em alta", a Bolsa de Valores Sociais estará aberta a candidaturas de outras instituições, desde que os projectos correspondam aos critérios de selecção.

A primeira Bolsa de Valores Sociais foi criada em 2003, em São Paulo. Através dela já passaram quatro milhões de euros, que financiaram cerca de 100 projectos.

 

 

Celso Grecco, fundador da Bolsa de Valores Sociais de São Paulo, responde às questões do i

Celso Grecco é o mentor da Bolsa de Valores Sociais portuguesa. Em 2003 fundou a primeira do mundo – em São Paulo.

 

Como é que esta bolsa replica o funcionamento dos mercados financeiros?

Uma bolsa junta uma empresa que quer ter ganhos e se compromete com objectivos e transparência, com um investidor interessado. Aqui aplica-se o mesmo princípio, mas em vez de lucro financeiro há lucro social.

 

Como são seleccionadas as organizações presentes na bolsa?

Têm de ser projectos inovadores e não assistencialistas. Devem dar uma resposta concreta e interromper um ciclo. Actuar nas causas e não nos efeitos.

 

Como está a correr a experiência em São Paulo?

A Bolsa de Valores Sociais de São Paulo já firmou um ambiente de credibilização. Mas a portuguesa vai ser ainda melhor: mais abrangente e com tecnologia mais avançada.

 

Qual a importância deste cruzamento de bolsa com solidariedade social?

Costumo dizer que “não se traçam novas rotas em cima de velhos mapas”. Aqui não se trata de uma nova rota: é um novo mapa no tecido social.



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