Futebol com Todos por Alexandre Pereira

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Quem acredita na moralização dos salários?

Publicado em 05 de Maio de 2009   
Herminio Loureiro está optimista. Mas como será na hora da verdade?
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Hermínio Loureiro está optimista naquilo a que chamou “intervalo” da discussão sobre punições para clubes que não pagam ordenados (a Assembleia Geral da Liga de segunda-feira terminou sem conclusões, dia 30 há mais). Aliás, o presidente da Liga é normalmente optimista, e é sobretudo isso que o tem feito correr no cargo. Com interessantes conquistas no percurso, é preciso dizê-lo.

No ponto dos salários em atraso, todavia, está a pisar muitos calos de uma vez. E todos sabemos como somos capazes de deixar a moral de lado quando nos pisam os calos. De acordo com os estatutos do futebol, cabe aos clubes definir as regras de acesso às competições e respectivos regimes disciplinares. Custa a crer, portanto, que os clubes concordem num sistema realmente punitivo para os faltosos. Porque cada um deles, ou uma larga maioria, sabe dos riscos que corre de um dia lhe faltar a liquidez. Vão encontrar uma solução de fachada para manter o decoro, mas deixarão mil escapatórias para o tradicional contorno da lei.

Era bom sinal enganar-me – e cá estarei com gosto para dar a mão a essa palmatória – mas os clubes vão continuar a viver acima das suas possibilidades. E tirando um ou outro caso tipo Salgueiros, Campomaiorense, Farense, Boavista ou, provavelmente, Estrela da Amadora, continuarão a ser os jogadores as maiores vítimas. Vão continuar a jogar muitos meses sem receber, sabendo que o atrevimento de rescindirem contratos com justa causa pode fechar-lhes portas em muitos outros lados. Porque lá nisso ainda vai havendo associativismo, corporativismo ou o ismo que lhe queiramos chamar: «Vou contratar aquele que rescindiu com o x? E se um dia lhe falho, vai-se embora daqui também?»



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