Dizia-me um amigo no fim das favas de sábado: «Se queriam homenagear o Giggs que arranjassem um prémio carreira tipo Hollywood, ou coisa assim.»
No essencial o Miguel tem razão. O fabuloso galês jogou pouco nos últimos tempos e talvez não tenha sido, de facto, o melhor jogador da época em Inglaterra. Mas os companheiros de profissão entenderam prestar-lhe esta homenagem, num daqueles actos colectivos de cavalheirismo e elevação que o futebol inglês, mesmo hipercolonizado, consegue manter. Votaram, de forma secreta, e elegeram Ryan Giggs como futebolista do ano.
É fantástica esta réstia de pureza que por lá se revela de vez em quando. A essência do futebol enquanto disputa de gentlemen a contaminar a legião estrangeira que nos últimos anos deu à Liga inglesa uma importante dimensão estética. Dimensão esta que, convenhamos, lhe fazia falta para poder juntar-se à paixão e à emoção inimitáveis daqueles estádios.
Por tudo isto, faz sentido que Giggs tenha sido coroado. Pelo exemplo de desportista, pela dedicação ao Manchester United e pelo facto de simbolizar, assim de repente, o tipo de jogador que os canhotos das duas últimas gerações gostariam de ter sido quando sonharam ser futebolistas.




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